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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Corrida para lugar nenhum






Ser criança ou adolescente hoje em dia pode ser sinônimo de agenda cheia. Não de brincadeiras e nem de tempo para descobertas, mas repleta de compromissos de gente adulta que exigem um grau de amadurecimento que  elas ainda não atingiram. O vídeo acima é um exemplo concreto desta crua realidade. Embora sejam entrevistas com alunos dos Estados Unidos, elas refletem o sentimento unânime de pressão, vivenciado por alunos tanto de lá como daqui e de qualquer outro país no mundo que utiliza provas de mensuração para dizer qual escola ou aluno é melhor que outro.  Talvez a única diferença que possa ser citada é o fato de que nos EUA as crianças também recebem um saco de vômito junto com o kit da prova, conforme relatou o neurologista infantil Steven Lawrence Strauss, do Franklin Square Hospital, durante o II Seminário Internacional sobre “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”, que aconteceu entre os dias 11 a 14 de novembro na Universidade Paulista (UNIP).

Essas avaliações fazem com que todo o sistema educacional mire os esforços não na formação sadia de um futuro cidadão, mas sim na formação voltada a um conteúdo formatado em padrões que são os exigidos por essas provas.

O índice de mensuração internacional mais conhecido é o PISA, do qual o Brasil faz parte e está na 53ª  posição.  Em nível federal temos a Prova Brasil e o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). Cada Estado também pode elaborar sua prova de mensuração. Em São Paulo, por exemplo, temos o SARESP.  Para o Ensino Fundamental I,  o SARESP realiza provas para as turmas do 3º e 5º ano, ou seja, envolve crianças com idades  de 8 e 10 anos.

Para as crianças dos 5º anos, as provas são aplicadas como se fossem um verdadeiro concurso público, com direito a todos os requisitos. Vejam só se não tenho razão: não é a professora da turma quem aplica as provas, quem aplica é outra professora, de outra escola, muitas vezes uma completa desconhecida para a turma. Vem também um fiscal externo acompanhar todo o procedimento. Quando as provas são entregues, as crianças são orientadas a não virar antes do tempo determinado, escrito na lousa, igualzinho a um concurso público: horário de início tal, horário de término tal, tempo mínimo  de permanência tal........... e........... caso... queiram ir ao  banheiro ou tomar água................ chama-se o fiscal! É ele quem  acompanhará a criança até o bebedouro ou banheiro...... igualzinho a um concurso público de verdade........com a exigência até de preencher à caneta aqueles gabaritos lidos por computador... a única diferença é que não assina a prova..... apenas escreve o nome completo rs... .e isso porque estamos falando de crianças cuja idade gira em torno de 10 anos!!!!!! 

Será que isso não foi levado em conta? Nossa.................. tenho tanta curiosidade de saber desses profissionais que elaboram todo esse esquema de provas se por acaso eles lembraram-se de que se trata de crianças, que de acordo com Jean Piaget, ainda encontram-se transitando entre a fase final operatória e a operatória concreta do desenvolvimento cognitivo? Traduzindo: isso significa na prática que ainda não estão maduras o suficiente para encararem um procedimento que envolve responsabilidades de adulto e que em muitos casos, dependendo do resultado final, decide valores de verbas e bônus financeiros às escolas e professores.

Não é muita pressão?

Concorda comigo?

Peraí que ainda não terminei......


Sabia também que já está rolando um teste  para crianças de creche e de educação infantil? É verdade! Crianças de 0 a 6 anos estão sendo avaliadas via ASQ (Ages & Stages Questionnaires), teste elaborado pelos EUA, importado pelo governo brasileiro e sendo testado em  fase piloto no estado do Rio de Janeiro.

De acordo com reportagem publicada no site da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, para cada faixa de idade existe um questionário com 30 perguntas que avalia o desempenho da criança em diferentes quesitos: comunicação, coordenação motora, resolução de problemas e capacidade de socialização. Além de medir o estágio de desenvolvimento infantil, o ASQ traz sugestões de atividades a serem desenvolvidas pelos educadores com crianças que apresentaram déficit de desenvolvimento em cada faixa etária.

Aonde vamos parar???????

Alguém aí arrisca uma resposta?

Eu acho que um dos motivos do aumento de diagnósticos de TDAH e Dislexia tem relação com essa pressão toda. Cria-se um padrão de excelência que exige a homogeneidade nos saberes adquirida nos mesmos moldes de uma linha de produção fordista e toyotista...... quando............ na............ verdade.............. o que  precisamos mesmo  é voltar a atenção a que tipo de ser humano os governos  pretendem que as escolas possam formar..................


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A informação é o melhor remédio!!!

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Para saber mais sobre o projeto piloto brasileiro do teste ASQ clique aqui.

Para saber mais sobre o resultado brasileiro no PISA, clique aqui

Para conhecer a Prova Brasil, clique aqui

Para saber sobre o SARESP, clique aqui



Um comentário:

  1. Caríssima Vanessa.
    Excelente artigo. Preocupante o molde em que desejam encaixar as nossas crianças ao invés de perceber a sua forma de aprendizagem dentro das peculiaridades de cada uma delas.

    Se o teste é indispensável, por que não se inclui a matéria "Ética"? Daria pra saber se tanta leitura e alto/baixo desempenho tem influenciado o comportamento sócio-afetivo delas fazendo com que sejam seres humanos mais altruístas?

    O que estamos fazendo com nossas crianças?

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