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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Caso UFABC : Acadêmico da ABL, Bechara, compartilha de minha “perplexidade”

Divulgação/Evanildo Bechara, imortal da ABL
Semana passada, mais precisamente na segunda-feira, dia 27/06/2011, logo pela manhã, recebi um telefonema de Evanildo Bechara, atual ocupante da Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Confesso que fui pega de surpresa e demorou alguns minutos para a ficha cair. Sinceramente não tinha muitas expectativas de êxito ao pedido de entrevista feito há mais de um mês em um momento de puro “surto”. Explico: você lembra do caso da UFABC? Quando fui procurar o núcleo de neurociência cognitiva para encontrar respostas às minhas pesquisas sobre a polêmica em torno da existência ou não da Dislexia e do TDAH? E aí resolvi participar do processo seletivo para o mestrado e acabei  deparando com uma situação inusitada porque o processo de seleção simplesmente apontou diversos fatos estranhos, entre eles, o  desprezo à Língua Portuguesa em prol da Língua Inglesa?

Então.............acabei ficando bastante perplexa e de cabeça zonza por alguns dias. Afinal, trata-se de uma Universidade pública que faz parte de uma rede federal, como pode permitir que alunos estrangeiros possam participar do processo seletivo utilizando única e exclusivamente a língua inglesa enquanto os brasileiros eram obrigados a prestarem exame de proficiência em língua inglesa?????????????  Apesar de entender a importância da língua inglesa, não acho certo isso. Afinal, a língua oficial do nosso país  (((ainda))) é o Português!!!!!!

Embora exista o teste de proficiência em Língua Portuguesa a LDB/96 permite às Universidades poder utilizar de critérios próprios de seleção. Comecei a pesquisar na internet o assunto e acabei caindo na página da ABL. Após ler o estatuto, não pensei duas vezes! Escrevi para eles solicitando apoio baseando meus argumentos no Art. 1º - A Academia Brasileira de Letras, com sede no Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional.

Como o estatuto determina a cultura da língua, por que não arriscar um contato solicitando apoio? Isso foi no dia 26/05/2011 e já estava bastante desmotivada com as tentativas frustradas de contato com vários parlamentares na esperança de tomarem alguma providência (esforço em vão). A ideia funcionou. Pelo menos, encaminharam o caso ao professor Evanildo Bechara, um dos mais importantes filólogos da Língua Portuguesa Brasileira. Autor de inúmeros livros, coube a ele também decidir sobre alguns problemas deixados sem solução no acordo ortográfico, firmado em 1990, entre Brasil e Portugal.

Durante a entrevista, realizada  por telefone, o professor Bechara disse que infelizmente a ABL pouco podia fazer pela causa, mas que ele compartilhava da minha perplexidade. Citou como exemplo uma revista que a ABL está dirigindo, sem fins lucrativos, e que o CAPES exige deles que o sumário venha escrito tanto em português como em inglês e de que tem conhecimento que muitas universidades estão utilizando o inglês como língua padrão nos exames de seleção.  “É angustiante isso porque acham que nós, brasileiros, somos polilíngues, quando na realidade os índices de mensuração mostram uma realidade totalmente diferente. Nem a Língua Portuguesa nossas crianças estão aprendendo direito ”, refletiu..........

Falou inclusive, que nenhum documento oficial pode sair do país em língua estrangeira. “Uma prova é um documento oficial. Além disso, como cidadão brasileiro, defendo que todas as provas devem ser realizadas primeiro em língua portuguesa e aí sim, depois, se houver necessidade, em inglês”.

Terminou a entrevista perguntando-me se havia ficado sabendo sobre o fechamento do Instituto Benjamin Constant, de educação para surdos e mudos no Rio de Janeiro. “É um absurdo o que estão querendo fazer. O Instituto existe há mais de 157 anos! Vão piorar a formação e isso caracteriza-se, em minha opinião, como propaganda enganosa. Afinal, não usam a educação como bandeira de eleição? Não dizem ser importante a enaltação da língua pátria porque ela  exalta  o sentimento de identidade nacional? O que vemos na prática? Estes fatos lamentáveis!

Eu também concordo com o professor. E você? O que acha disso tudo?____________________________________________________________________
  
Para saber mais sobre o professor Evanildo Bechara clique aqui.

Ficou curioso em saber mais a respeito do Instituto Benjamin Constant? Clique aqui.

Não leu ainda o post sobre o caso da UFABC? Clique aqui então.
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