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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Instituto ABCD oferece verba financeira aos Centros de Diagnóstico que conquistam título de Referência

Fundado no Brasil em 2009, o Instituto ABCD é uma organização social de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua no apoio aos profissionais da saúde e educadores que trabalham em prol das dificuldades e dos distúrbios de aprendizagem, especialmente a Dislexia.

Atua também no financiamento e apoio técnico de projetos educacionais e sociais, destinados às instituições e organizações que passam por uma seleção feita periodicamente e que confere aos selecionados o título de Centro de Referência e verba financeira.
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Tomei conhecimento da existência do Instituto ABCD quando realizei minhas pesquisas no Núcleo Especializado em Aprendizagem (NEA) da Faculdade de Medicina do ABC, que na época, 2010, acabara de conquistar o título de Centro de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Dislexia e Problemas de Aprendizagem, pelo próprio Instituto ABCD.

Conforme release divulgado pela assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina do ABC, em 14/04/2010, o contrato com a Faculdade foi assinado em  13 de abril de 2010 e informava que a  organização não-governamental havia iniciado, cerca de um ano atrás, seleção de projetos de todo o país nas áreas de dislexia e dificuldades escolares e que foram eleitos somente cinco Centros de Referência no Brasil. Cada um deles receberia verba financeira para desenvolvimento de projetos com duração de dois anos. Além da Medicina ABC, foram escolhidas a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a UNESP de Marília/Botucatu, o Instituto CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O release afirmava ainda que o Instituto ABCD é uma organização recém instalada no Brasil, braço nacional de uma ONG inglesa dedicada ao atendimento e ao incentivo às pesquisas na área de Dislexia e que o projeto selecionado da Medicina ABC contemplava atendimento à população, reforma de áreas físicas e aquisição de equipamentos, contratação de pessoal, capacitação de pais e educadores de escolas básicas, além de pesquisa clínica.

Dislexia


O Instituto ABCD considera que a Dislexia é um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, de origem neurofuncional, caracterizado por um inesperado e substancial baixo desempenho da capacidade de ler e escrever, apesar da adequada instrução formal recebida, da normalidade do nível intelectual e da ausência de déficits sensoriais.

De acordo com o Instituto, o portador de Dislexia responde lentamente às intervenções terapêuticas e educacionais específicas. Porém, somente com as intervenções adequadas pode melhorar seu desempenho em leitura e escrita. Afirma ainda que o prognóstico depende de diversos fatores facilitadores, como por exemplo, a precocidade do diagnóstico e o ambiente familiar e escolar.

Entrei em contato com a assessoria do Instituto para saber mais detalhes do programa. Achei bastante legal a iniciativa desenvolvida por eles, mas, infelizmente, naquela época, quando recebi, em 19/04/2010, a resposta do meu pedido de entrevista, informaram-me que eles não tinham a intenção de aparecer na mídia e que iriam focar para que o trabalho desenvolvido pelos Centros de Referência fossem divulgados e não o deles.

Nova tentativa


Recentemente, entrei novamente em contato com o Instituto para saber se a posição inicial havia mudado. O email de retorno que recebi, em 31/05/2011, informou apenas sobre o trabalho desenvolvido pelos Centros de Referência e que em breve iriam publicar novos documentos com as atividades realizadas.

Continuo achando um desperdício não divulgar como é feito o aporte e a distribuição financeira dos recursos, afinal a informação é o melhor remédio.

Quem será esse anjo caridoso que ajuda milhares de crianças a descobrirem ser portadoras de Dislexia ou de outro distúrbio de aprendizagem, como o TDAH?

Queria conhecer seu rosto, seu nome para agradecer-lhe a iniciativa. Acho muito importante a difusão da informação e a ampliação do debate a respeito da existência ou não destes transtornos, principalmente quando envolve o uso de medicamento e neste caso é o Metilfenidato, aquele mesmo que menciono em outro post, da mesma família da cocaína. (clique aqui e leia a respeito)

Quem sabe nos próximos dias; meses ou anos, posso vir a receber outro email do Instituto ABCD com a tão esperada informação. Afinal, saber quem está por detrás dessa iniciativa poderá fazer toda a diferença nas discussões acerca da existência ou não destes transtornos. 

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Clique aqui e entre direto na home page do Instituto ABCD

  
Para conhecer melhor como é feita a seleção dos Centros de Referência, clique aqui.

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A resposta chegou! Clique aqui e confira o post

Como funciona um centro de diagnóstico multidisciplinar e o convênio com a Prefeitura de Santo André

Quando estava terminando meu trabalho de conclusão do curso de Pedagogia, o famoso TCC, sobre os Transtornos de Aprendizagem, com recorte na Dislexia, descobri que na região onde moro, Grande ABC, várias prefeituras mantêm convênio com o Núcleo Especializado em Aprendizagem (NEA), departamento ligado ao setor de neurologia da Faculdade de Medicina do ABC, que atende casos suspeitos de Dislexia e TDAH, de alunos oriundos da rede municipal de ensino ou particular.

Em Santo André, onde realizei as entrevistas e os estágios obrigatórios, caso a professora note dificuldades de aprendizagem em algum de seus alunos,  um contato com a coordenadora pedagógica é feito e se após discussão do caso chegarem à conclusão de ser necessário encaminhar a criança ao NEA, os pais dela são chamados para uma conversa.

Caso concordem, a criança é encaminhada para ser avaliada pela equipe multidisciplinar do Núcleo, formada por neuropediatras, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos. Não é cobrado valor algum dos pais, inclusive, se for necessário, o convênio fornece vale-transporte para a locomoção. Os valores só são cobrados quando o atendimento acontece via opção particular.

No primeiro encontro é realizado a anamnese, ou seja, os pais são entrevistados sobre a vida da criança desde o período de gestação, se houve algum problema durante o parto, abuso de drogas etc. Depois desta etapa, a criança realiza, normalmente, uns cinco testes específicos, como por exemplo: os de mapeamento cerebral, teste de QI (WISC-III – Escala de inteligência Wechler para Crianças), fonoaudiológicos, entre outros. Após todos os testes realizados, a equipe de profissionais reúne-se e discute o caso. Fechado o diagnóstico, os pais são chamados novamente para receber o resultado do laudo e ele também é encaminhado à coordenadora pedagógica, responsável pela escola de onde o aluno foi encaminhado.

Caso acuse TDAH, a criança é encaminhada tanto ao tratamento medicamentoso, com acompanhamento de um neuropediatra, quanto à terapia com psicólogos. A coordenadora pedagógica junto com a professora desse aluno também são orientadas a  utilizarem  métodos de ensino diferenciados. Agora, se for diagnosticado com Dislexia, o tratamento é feito apenas mediante intervenção pedagógica e terapêutica uma vez que não há remédio para tratar deste transtorno.

Muitas vezes acontece do laudo apontar para a combinação dos dois casos: Dislexia e TDAH, com algum tipo de comorbidade.  Em linguagem médica isso quer dizer sintomas secundários, causados em virtude do transtorno. Os mais comuns são: ansiedade; depressão; bipolar; abuso de drogas; tourette; transtornos opositor desafiador e de conduta.

De acordo com o professor da disciplina de Neurologia e coordenador do NEA, o neuropediatra Rubens Wajnsztejn, em 2009, foram realizados cerca de 15 mil atendimentos, não só na rede de Santo André, mas no todo. Deste total,  15% apresentaram algum tipo de transtorno do aprendizado e cerca de 20% TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Consegui agendar uma entrevista com  Wajnsztejn para saber dele uma opinião a respeito da polêmica sobre a existência ou não destes transtornos. Começou a entrevista fazendo outra pergunta: - Como desacreditar em fatos? E, logo em seguida, respondeu: - Impossível! Começou citando exemplos da própria  História da medicina. “Observando a linha do tempo, encontramos vários casos semelhantes como o que está acontecendo agora. Doenças como a Esquizofrenia e a Síndrome de Down, por exemplo, eram motivos  de tabus e preconceitos. Crianças portadoras de qualquer tipo de necessidade especial eram, além de estigmatizadas, excluídas das escolas ditas “normais. Infelizmente setores importantes da sociedade ainda lutam para manter o preconceito e a estigmatização de patologias que tanto a ciência quanto à prática médica demonstram ser reais”, afirmou. A entrevista com Wajnstejn aconteceu na sede do NEA no dia 07/06/2010.


Falta de formação

Em abril de 2009, entrevistei também a coordenadora do Centro de Atenção ao Desenvolvimento Educacional da Prefeitura de Santo André, Rosemeire Aparecida Ferreira Lima, responsável por gerenciar um núcleo de escolas municipais que encaminham alunos para diagnóstico no NEA. Na opinião dela, os transtornos de aprendizagem são uma realidade e ela não tem dúvidas quanto à sua existência. “É necessário entender sobre esses transtornos para podermos cumprir com o nosso papel de educadores. Não há como intervir pedagogicamente se não soubermos o que a criança tem de fato”, destacou.  Com mais de 20 anos de experiência na área, Rosemeire citou ainda que de cada cinco alunos encaminhados para avaliação (isso em 2009), um apresenta laudo positivo, seja para os Transtornos Globais de Aprendizagem, no qual se insere a Dislexia, ou para o TDAH.

Para a pedagoga Priscila de Giovanni, coordenadora do  Serviço Educacional do Centro de Atenção ao Desenvolvimento Educacional (CODE), departamento ligado à Secretaria Municipal de Ensino de Santo André, o grande problema envolvendo as dificuldades de aprendizagem está é na má formação dos professores. Com mais de quinze anos de experiência em docência e trabalhando no departamento que traça as diretrizes educacionais às crianças portadoras de necessidades especiais, ela avalia que os alunos portadores de algum tipo de distúrbio de aprendizagem, provocado, por exemplo,  pelo TDAH e Dislexia, não podem ser enquadrados naqueles que apresentam algum tipo de deficiência. “Eles não estão nem na área da deficiência física e nem na da mental”, afirma.

Giovanni concedeu entrevista na sede do CODE no dia 08/06/2010 e questionada sobre a polêmica a respeito da existência ou não destes transtornos, afirmou: “Se tiver que escolher entre as duas correntes, escolho a que defende a tese da não existência destes transtornos. Independente do que a criança possa ter ou vir a ter, o professor precisa é de boa formação, saber como vai ensinar, como vai lidar com as diferenças em sala de aula”.

Terminou a entrevista enfatizando que o convênio com o NEA é uma boa parceria porque  propicia formação e conhecimento.  Fatores, que na minha opinião, fazem toda a diferença porque entendo que a informação ainda é o melhor remédio. A partir do momento em que a escola sabe o que está acontecendo com aquele aluno tem condições de intervir, de cumprir efetivamente com o seu papel: o de propiciar a aprendizagem e a formação de um futuro cidadão, sem rótulos, sem estigmas. 

É uma pena que estão medicando logo de cara essas crianças diagnosticadas como TDAH sem antes dar chance à elas de tentarem percorrer um caminho diferente do da maioria, mas que leva à mesma aprendizagem.  Ele existe. Basta saber conduzi-lo. 

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pesquisa da USP aponta: Ritalina não melhora cognição

A doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, Camila Tarif Ferreira Folquitto, defendeu em 2009, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), uma dissertação de mestrado sobre suas pesquisas a respeito da afetividade e cognição, fazendo um recorte em dois grupos de alunos diagnosticados com TDAH. Um que utilizava o medicamento e outro que não usava. Descobriu  que o uso do Metilfenitado/Ritalina não ajuda no processo de cognição, responsável pela aprendizagem.

De acordo com as pesquisas dela, do ponto de vista cognitivo, existem diferenças importantes no desenvolvimento de crianças com TDAH quando comparadas com crianças sem qualquer diagnóstico e que a teoria de Piaget acerca do desenvolvimento psicológico, do processo de transição do estágio pré-operatório para o estágio operatório concreto de desenvolvimento, é um subsídio teórico importante para a compreensão deste transtorno, em especial a construção operatória da noção de tempo.

A hipótese geral trabalhada pela pesquisadora foi a de que crianças com TDAH apresentariam déficits no desenvolvimento de noções operatórias, como a conservação, reversibilidade e apreensão temporal. De acordo com ela, foram entrevistadas 62 crianças, com idades entre 6 a 12 anos, subdividas em dois grupos: uma amostra clínica de crianças diagnosticadas com TDAH e uma amostra de crianças sem diagnóstico. A amostra clínica foi também dividida entre crianças que faziam uso do Metilfenidato/Ritalina e de crianças não medicadas. O intuito da pesquisa foi observar se a medicação exerceria alguma influência no desempenho das crianças em provas piagetianas.

Os resultados da pesquisa demonstraram haver diferença estatisticamente significativa entre o desempenho das crianças dos diferentes grupos. Crianças com TDAH apresentaram uma tendência a terem suas respostas classificadas em níveis inferiores ao esperado, quando comparadas ao grupo de controle, que é  aquele composto por crianças sem o diagnóstico.

Porém, em relação ao grupo de alunos que utilizou o Metilfenidato/Ritalina, a pesquisadora descobriu não haver diferença significativa entre os grupos, ou seja, o remédio não ajuda no processo de cognição. Apesar  da pesquisadora citar ser importante no tratamento, na realidade o Metilfenidato/Ritalina não demonstrou ser suficiente para potencializar o desenvolvimento cognitivo de crianças com TDAH, superando os déficits observados. De acordo com ela, esses achados corroboram a hipótese de déficit na aquisição das noções operatórias em crianças com TDAH e concluiu ser necessária novas reflexões a respeito do TDAH, considerando alternativas de intervenções que considerem os déficits observados, ultrapassando o tratamento medicamentoso.

Quer conhecer melhor os estudos da pesquisadora? Clique aqui e leia a dissertação, que está disponível online.


Neuroaprimoramento

Vale muito a pena ler também a edição deste mês da revista Mente Cérebro, que reproduz artigos publicados pela Scientif American. A edição é a de nº 221 e publica o artigo Cérebro Turbinado, assinado por vários neurocientistas.

O artigo reflete a respeito do uso de medicamentos, como o Metilfenidato/Ritalina,  até que ponto vale a pena  correr os riscos e usam de um termo, que para mim foi novidade: neuroaprimoramento, que de acordo com o artigo, visa o melhoramento cerebral com uso de substâncias químicas, feito, inclusive, por pessoas saudáveis.

Estes neurocientistas criticam o uso destes medicamentos afirmando que seus efeitos colaterais são ainda um mistério. Refletem ainda se as exigências do mercado de trabalho contemporâneo não estão contribuindo para que padrões há alguns anos considerados normais sejam vistos hoje como patológicos e vão além: falam também sobre os resultados de uma boa educação e que cuidados amorosos modificam o cérebro infantil, ou seja, seus efeitos podem ser comparados aos obtidos com substâncias químicas. É uma pena a revista não disponibilizar os artigos na versão online. Quem se interessou deve correr para as bancas e desembolsar a quantia  de R$ 11,90 ou procurar o exemplar em alguma biblioteca pública.

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Modelo “VHC”

O sistema educacional de Cingapura, um pequeno país localizado no sudeste da Ásia, está entre os melhores do mundo, de acordo com o último relatório do PISA – o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, de 2009. O país está em quinto lugar em leitura, segundo lugar em matemática e quarto lugar em ciências. O segredo? Investimento na capacitação dos professores  e ousadia em mudar a metodologia pedagógica, a qual denominaram “Modelo VHC”.  O V significa Valores, o H, Habilidades e o C, Conhecimentos.

Em entrevista à Revista Educação deste mês, Lee Sing Kong, que comanda o Instituto Nacional de Educação, órgão ligado ao Ministério da Educação, afirmou que o país investe pesado em formação de professores e ao perceber ritmos diferentes de estudo de aluno para aluno, não pensaram duas vezes: instituíram um modelo que forma grupos de estudantes diferentes,  ou seja, eles são agrupados em turmas que  tem um mesmo ritmo. Conforme a reportagem, os alunos que são muito bons seguem para escolas tradicionais, com programas mais autônomos e os mais lentos são designados às escolas específicas, onde podem ser beneficiados com um currículo mais customizado cuja base são atividades práticas.

Sonho de aprendizagem

Com base nas minhas pesquisas e entrevistas com alunos com dificuldades de aprendizagem, diagnosticados TDAH e disléxicos, posso afirmar que esse modelo educacional seria o sonho de quase a totalidade deles para conseguir alcançar a tão sonhada aprendizagem. Por que digo isso? Além de existir um ponto de consentimento entre as correntes que defendem a existência destes transtornos com as que acreditam que estes transtornos não existem: em ambos os casos, concordam que a aprendizagem ocorre em ritmo bem diferenciado da maioria, geralmente mais lento, as pesquisas científicas apontam essa realidade: essas crianças aprendem de forma diferente sim! 

Veja agora como funciona na prática essa teoria pedagógica de Cingapura: a reportagem citou um exemplo, dado pelo próprio Kong: o professor desse tipo de escola descobre que um grupo de alunos adora andar de esqui. Se ele diz que a velocidade é o tempo sobre o espaço, os estudantes entendem o que ele quer dizer porque o docente, então, os leva para andar de esqui e pede a eles que meçam a distância e o tempo que andaram. Por fim, explica o conceito de velocidade. O fato deles terem participado da experiência, a vivenciado,  faz com que aprendam. Kong frisou ainda que os alunos mais lentos não são alunos que não podem aprender, pelo contrário, eles podem, mas precisam de atividades diferenciadas. Não há um estímulo apenas intelectual, mas também da prática. Ficou evidente, comprovado, que eles aprendem quando fazem vivenciando o que os professores estão dizendo, estão tentando ensinar.

E aqui, bem neste ponto – atividades diferenciadas – pode estar a pílula mágica do processo cognitivo cujo efeito não ocorre por conta de um princípio farmacológico ilusório, mas sim por conta de um princípio mental contudente: o despertar do interesse. E, quando o professor consegue despertar o interesse destas crianças, elas surpreendem a todos porque mostram que são capazes de romper os próprios limites.

Outro fato abordado pela reportagem diz respeito a questão da política de bonificação, aquela que nós, brasileiros, começamos a conhecer bem quando nossos governantes resolveram incorporar ao mundo educacional práticas empresariais, bonificando com prêmios financeiros escolas e professores. Engraçado que essa prática vem acontecendo mais intensamente depois da década de 90, quando justamente a educação passou a ser considerada como mercadoria pelo GAT – Acordo Geral sobre Comércio de Serviço no âmbito da Organização Mundial do Comércio do qual o Brasil é signatário e que nos faz refletir sobre qual educação queremos de fato.

Enquanto em Cingapura a educação estimula os alunos a saírem do processo de aquisição e conquistarem o conhecimento por meio da inovação, aqui no Brasil, ficamos reféns de uma outra realidade a qual força a todos seguirem um mesmo padrão para que assim possam ser consumidores de um único sistema mesmo que para isso seja necessário usar de uma droga tão pesada como o Metilfenidato, a Ritalina. Sai mais barato....................mesmo que as consequências a longo prazo sejam totalmente desconhecidas. Afinal, o futuro a quem pertencerá?

Ainda não leu sobre a farmacologia deste medicamento? Então não perca tempo, clique aqui e confira o post.
  
Caso tenha ficado interessado em ler a matéria da Revista Educação, ela está disponível na  versão online, clique  aqui .


Para saber mais sobre o PISA, clique aqui


Ah, mas você ficou curioso mesmo em saber mais sobre o GATT? Não tem problema! Sugiro a leitura de um artigo publicado pelos professores João dos Reis Silva Junior e Carlos Lima, acesse clicando aqui

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Reflexões sobre o DSM & Etiquetas psiquiátricas

Vem aí a quinta edição do DSM

Está previsto para ser lançado em  2013 a quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, DSM-V).

O manual contém o tal questionário para diagnóstico clínico do TDAH e está sendo revisto pela equipe do professor David J. Kupfer, da Universidade de Pittsburg, e pelo doutor Darrel A. Regier, da Associação Psiquiátrica Americana (APA), junto com mais de 600 especialistas mundiais da saúde mental. Eles  reúnem-se desde 1999 para debater os caminhos do diagnóstico psiquiátrico no século XXI.

No entendimento do professor Kupfer, de acordo com reportagem publicada pela revista ComCiência, a principal inovação da quinta edição do DSM deverá ser a introdução do conceito de “dimensão”. Este tipo de classificação irá considerar a intensidade e gravidade dos sintomas, com indicadores de sofrimento subjetivos e o grau de prejuízo associado, como por exemplo, o risco de suicídio. 

Sou leiga no assunto, mas fico me perguntando como será possível conseguir mensurar variáveis tão flexíveis, particulares e subjetivas como estas? Entendo que seria como tentar pesar os neurônios de um cérebro para detectar quem é mais inteligente que outro? Como será possível mensurar sentimentos, gostos ???  Alguém aí sabe me explicar?

Existe ainda outro tipo de manual que está sendo elaborado pelo  Instituto Nacional de Saúde Mental do governo dos Estados Unidos (NIMH, na sigla em inglês) chamado de Reseach Domain Criteria (RDoC). É um manual cujo objetivo principal é  fornecer um tipo de investigação dos transtornos mentais diferente daquele fornecido pelo  DSM-IV porque utilizará uma perspectiva de classificação por meio das dimensões do comportamento observável e de medidas neurobiológicas, como a genômica e os estudos do circuito cerebral.

Novamente .... será que a pista para entender minha “leiguice” será fornecida por este tal de RdoC? Quem sabe esse novo manual conseguirá  equilibrar a distância díspare  entre a genética humana e o meio ambiente a qual o indivíduo está inserido.....

Você acredita nessa possibilidade? Eu ainda não tenho certeza, aliás, tenho muitas dúvidas e realmente isso de mensurar variáveis tão “subjetivas” para rotular alguém como sendo portador de algum transtorno mental incomoda por demais minha lógica.

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Para saber mais sugiro que leia a edição nº 126 da Revista ComCiência da Unicamp. A edição inteira fala sobre os Transtornos Mentais e está disponível na versão online. Clique aqui para ler o sumário.

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Explicando o TDAH pela música. Legião Urbana

Você já deve ter ouvido falar em Transtorno do Déficit de Atenção?  TDAH/DDA? 
A música Quase Sem Querer, do Legião Urbana, foi usada pelo projetosinapse para explicar o TDAH sob o ponto de vista da corrente que acredita na existência do transtorno.
O canal do projetosinapse no YOUTUBE fez um clipe com essa música e ficou bem interessante. 
clique aqui para assistir  e divirta-se!!

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QUASE SEM QUERER


Tenho andado distraído, Impaciente e indeciso E Ainda estou confuso, Só que agora é diferente: Sou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei, Quando o que eu mais queria ERA provar pra todo o mundo Que eu não precisava Provar nada pra ninguém.
Me fiz em mil pedaços Pra você juntar E queria sempre achar Explicação pro que eu sentia. Como um anjo caído Fiz questão de esquecer Que mentir pra si mesmo É sempre a pior mentira, Mas não sou mais Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê E eu sei que você sabe, quase sem querer Que eu vejo o mesmo que você. Tão correto e tão bonito; O infinito é realmente Um dos deuses mais lindos! Sei que, às vezes, uso Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras Que nunca são ditas? Me disseram que você Estava chorando E foi então que eu percebi Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que. Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você


Relato de um jovem rapaz diagnosticado com TDAH e Dislexia

Olá Vanessa, tudo vem? Vou contar minha história com a dislexia e o tdah, desculpe os erros de português, pois ela não me deixa escrever muito bem e com boa coesão textual.

Tenho dezoito anos moro em Luziânia Goiás. Bem! Minha historia com a dislexia começa quando comecei a cursar a segunda série do primeiro grau. Eu percebia que não conseguia acompanhar a turma, todo mundo entendia tudo e eu lá boiando, parecendo que a professora fala grego comigo, eu me sentia diferente como se eu fosse retardado mental, não consegui fazer minhas tarefas principalmente de português e matemática.

Quando eu ia fazer tarefa de português ou ler um texto parecia que as palavras não faziam sentindo, como se eu olhasse mais elas não me falassem nada, igual você montar uma equação matemática e não entender o que você fez.

O tempo foi passando e eu não aprendia nada. Na quinta série eu aprendi a ler bem. 

A quinta série!  Nossa me lembro como se fosse hoje os professores explicando e eu sem saber o que eles estavam falando, foi ai que minha mãe (minha salvadora) resolveu me levar em uma neurologia, depois disso eu descobri meu pesadelo, foi como acordar de um sonho e ver que o sonho virou um inferno!
Comecei a tratar da dislexia tomando ritalina a 5mg , quando eu tomei a primeira vez eu achei que ela ia me ajudar cem por cento, mais ela só me ajuda a concentrar, ela não me ajuda a entender as coisas escrita.
Passado um tempo comecei a evoluir vi que eu tinha um dom para a informática, pois sem fazer curso nenhum eu já sabia mais do que pessoas  que já faziam  curso. Chegado meu ensino médio a que lastima, mudei de colégio minha mente começou a mudar, não conseguia tirar boas notas os professores não me orientavam tudo mais...  Depois de um tempo colégio se adequou a min., mas não me da à devida assistência em sala de aula, mas acho que isto é porque se um professor for parar para me explicar ele vai perder muito tempo, ai nisso eu me ferro nas minhas notas, mais tem uma coisa boa, eu faço prova separado ai consigo me concentrar mais mesmo assim não resolve meu problema, pois acho que a prova deveria ser 50% escrita e 50% oral mais tudo bem eu me viro.

Agora vem outra lastima na minha vida, a faculdade, eu já andei me informando e as faculdades que eu quero não têm apoio a desleixos, a única que tem apoio, eu acho que não consigo passar que é a UnB, pois a prova dela tem muita interpretação e eles só oferecem leitor na prova, não oferecem uma pessoa pra me explicar à questão. Por causa disso estou sofrendo muito, pois não sei do meu futuro.

A dislexia tem muita coisa ruim, mais ela tem uma coisa boa, eu vejo o universo de uma forma diferente, eu sinto mais as coisa ao me redor, eu amo mais intensamente, eu vejo tudo de uma forma diferente como se eu vivesse em um universo paralelo a esse!

Depoimento cedido por Flavio, em junho de 2011 e transcrito conforme escrito pelo próprio depoente.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Einstein não seria “tão” Einstein assim se vivesse nos dias de hoje


Que tal iniciarmos um  jogo de “passadologia”?  Imagine a década de 1900. Agora pense na Alemanha e dê uma volta pelas ruas de Munique. A tarefa de você é encontrar um menino, franzino, cabisbaixo, de cerca de uns sete anos de idade. Neste momento, provavelmente, ele deve estar sentado na sarjeta, usando seus livros como suporte para a bunda não sujar, pensando no que iria dizer quando chegasse em casa. Ele acabou de ser expulso da aula porque não conseguia ler da lousa a lição que a professora tanto queria que fizesse.  Ela perdeu a paciência porque não era a primeira vez que isso acontecia. O garoto sempre recusava a escrever e ela estava perdendo literalmente a paciência em suas tentativas frustradas de alfabetizá-lo.
Chegando em casa, a mãe logo lhe põe de castigo e começa a falar palavras como preguiçoso, vagabundo, desleixado, deixando o menino ainda mais triste e magoado. Ele fecha a porta do quarto, abre a janela e fica admirando o céu. Quer conhecer o Universo.
No outro dia, a professora já está de prontidão, na porta da escola. Enquanto o menino corre em direção aos amigos, ela diz à  mãe que ele anda dando muito trabalho na aula e não tem nenhum interesse pelas letras. Aconselha que seja enérgica com ele porque senão terá de expulsá-lo de vez da escola. Lá, não era lugar para preguiçosos e vagabundos.

Agora, passemos à segunda etapa do nosso jogo: a próxima casa a mover-se no tabuleiro da vida  é a da“presentologia”. Imagine nosso querido Brasil e procure por um aluno que esteja na altura dos seus sete anos, estudando em alguma escola pública ou particular. Ele também não copia as lições da lousa e tão pouco presta atenção no que a professora fala. Quer saber mesmo é de ficar olhando a janela, imaginando o Universo. A professora já não sabe o que fazer. Se estiver trabalhando na rede pública, sabe que logo chegará a época daquelas benditas  provas de mensuração que os governos tanto adoram aplicar para distribuir mais ou menos verbas financeiras a esta ou aquela unidade escolar e bonificar este ou aquele professor.  Ela teme por represálias por parte da diretora e também pensa em seu contra-cheque. Agora se ela estiver na rede particular, engana-se quem acha que o drama será diferente. Pode ser um pouco mais “oculto”, mais “velado”.  Provavelmente ela irá deparar-se com duas possíveis situações: ou os pais desse garoto vão lhe chamar de péssima professora, que não tem “talento” para educar seu filho ou a diretora, a dona da escola,  vai fazer de tudo para convencê-la a dizer aos pais desse aluno que o melhor que tem a fazer é trocá-lo de escola.  Não é interessante para ela ter um aluno que apresenta tanta dificuldade de aprender porque sabe que a vida é dura. Ele dá gastos e trará prejuízos. Faz a professora perder muito tempo e o rendimento da turma toda pode ficar prejudicado. Ela sabe que precisa mesmo é de alunos brilhantes, que possam  no futuro servir de vitrine humana para a publicidade que a exposição dos primeiros colocados nos vestibulares famosos proporciona.
O que faz então a professora? Pressionada contra a parede, contra o sistema, não tem muita opção. Acaba mesmo por esquecer-se de sua função, das modernas práticas pedagógicas, que afirmam que cada um tem seu próprio ritmo de aprender e muitos não aprendem da mesma forma que os outros. Acaba chamando a mãe para uma conversa particular e se estiver na rede particular, pode ficar jogando indiretas de que o filho  não é bem vindo naquela escola, mas se estiver na pública, não terá  muita opção. A única que enxerga é sugerir à mãe que leve seu filho ao médico e diz também que não aprender como os outros, no mesmo ritmo e da mesma forma que a maioria, pode  ainda ser uma  doença.

Chegamos agora à última casa do tabuleiro. Aqui há uma encruzilhada onde as casas da “passadologia” e a da  “presentologia”  apresentam um enigma. Para continuar andando no tabuleiro da vida será necessário  decifrá-lo. A dica é : o  nome da próxima casa é  “futurologia”......

Tá difícil de encontrar a resposta? Vou tentar ajudar.....mais uma dica:

Dificilmente a Humanidade será agraciada com outros Einsteins da vida...
   
E, você? Já descobriu o por quê?  

Então.... conte  para nós...  

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