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domingo, 29 de maio de 2011

Visão pedagógica entre avaliação, aprendizagem, TDAH e Dislexia

Independente da polêmica  sobre a existência ou não do TDAH e da Dislexia, na área pedagógica temos uma certeza: existe sim crianças que realmente não conseguem aprender no mesmo ritmo e do mesmo modo que a maioria.
Até agora, em todas as minhas entrevistas com pais de crianças que foram diagnosticadas TDAH ou disléxicas, a informação que me dão é a seguinte: só foram procurar por ajuda médica após orientação dos professores de seus filhos. Então, se os sinais destes transtornos manifestaram-se primeiramente na escola e é por causa dela  que estas crianças estão indo parar em consultórios neurológicos e psiquiátricos e tomando ritalina, o papel da escola é importantíssimo nesta discussão.
Em busca de mais respostas, fui entrevistar meu professor de avaliação e aprendizagem do curso de Pedagogia, dr. Ivo José Both,  para saber dele uma opinião sobre o que “nós” professores podemos fazer quando deparamo-nos em sala de aula com essa situação. 

A ENTREVISTA

Autor de vários livros, entre eles  Avaliação planejada, aprendizagem consentida: é ensinando que se avalia, é avaliando que se ensina, Ivo José Both  é membro do Conselho Editorial da PUC do Paraná e professor titular nos cursos de graduação e pós da Faculdade Internacional de Curitiba. É  licenciado em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo, mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Educação pela Universidade do Minho, Portugal. É também avaliador de cursos e avaliador institucional do MEC.


  
Vanessa Martos Gasquez   - Professor, como deveria ser uma avaliação para crianças diagnosticadas portadoras de Dislexia e de  TDAH? A avaliação deveria ser diferenciada como sugere a maior parte dos especialistas que defende a existência destes transtornos? 

Ivo José Both:  Entendo que tanto a Dislexia quanto o TDAH refletem transtornos de aprendizagem e variações comportamentais. A Dislexia manifesta-se genericamente pela dificuldade de ler. No entanto, a dificuldade de leitura vem normalmente acompanhada pela disgrafia, que é a dificuldade de escrever corretamente as palavras. Já o TDAH  é um transtorno neurobiológico, de causa genética.
Em nível escolar, a criança disléxica e a criança com TDAH, mesmo que em convivência com os demais colegas num mesmo ambiente escolar, também merecem acompanhamento pedagógico específico por profissionais habilitados e experientes no trato com crianças que manifestam tais transtornos. Como fica então a questão do ensino-aprendizagem e da avaliação escolar? Em ambiente escolar, o professor não deve adotar medidas pedagógicas diferenciadas e nem preferências porque algum de seus alunos manifesta ou foi diagnosticado com algum transtorno que resulte em dificuldades de aprendizagem. O ensino-aprendizagem e a avaliação constituem mútua cumplicidade, em que ensina-se avaliando e avalia-se ensinando. Não existe ensino-aprendizagem sem avaliação, nem avaliação sem ensino-aprendizagem para crianças com e sem necessidades educacionais especiais.

VMG - O senhor acredita haver alguma relação entre a implantação do sistema de ciclos com as dificuldades de aprendizagem? Porque se analisarmos a linha da história, nos Estados e Municípios que adotaram este sistema, é possível  levar esse dado como sendo uma hipótese válida para entender o grande número de diagnósticos de TDAH e Dislexia, provenientes via escola?  Não sei se estou certa, mas, a impressão que ficou para mim durante minhas entrevistas é a de que os professores que estão  há muito tempo lecionando, principalmente  nas redes públicas (municipal e estadual), não estão sendo capacitados para lidarem com a nova realidade que o sistema de ciclos requer e por isso entre os pais o que mais ando escutando é o velho e conhecido ditado popular: “para quê estudar,  aprender, se não se repete?”

Ivo - O sistema pedagógico escolar, seja qual sistema  for, por si só não facilita nem dificulta a aprendizagem do aluno. A diferença de aprendizagem do aluno num ou noutro sistema está na qualificação dos professores para atuarem num ou noutro sistema pedagógico escolar.
Aqui no caso específico da pergunta que se refere à escola ciclada, sabe-se que ela objetiva incluir todas as crianças na escola, a fim de evitar a evasão e a reprovação, bem como melhorar a aprendizagem educacional. Nesse contexto, cabe à escola e à família atuarem de forma complementar e interativa, dado que ocorre no interior da família a primeira experiência educacional da criança.
No entanto, por si só a escola ciclada não poderá dar conta como sistema pedagógico se não ocorrer a necessária conivência entre escola e família, apregoada e recomendada.

Vanessa - O Brasil já é o segundo maior consumidor mundial de Ritalina, droga  prescrita para tratamento do TDAH. Um dos principais objetivos do tratamento é proporcionar uma melhor condição para a aprendizagem. Enquanto educador, qual sua opinião sobre a utilização da medicação quando ela é prescrita com esse objetivo? 

Ivo - Na verdade, remédio algum por si só melhora a aprendizagem. Pelo fato de o TDAH ser um  transtorno neurobiológico, tanto os remédios à base de produtos químicos como os homeopáticos, não contêm a faculdade de cura, mas, entendo que oferecem a possibilidade de provocar quadros de certa serenidade ao seu portador, enquanto os efeitos de tais remédios perdurarem. Assim sendo, durante esse ínterim de relativa serenidade, o aluno poderá estar mais propenso, não somente à aprendizagem, como, também, à normal convivência com as pessoas do seu regular relacionamento ou não.

Vanessa - Em sua opinião, como seria um modelo de educação capaz de atender às exigências do mundo contemporâneo?

Ivo  - A educação para o mundo contemporâneo é a que contempla acesso democrático e social aos saberes a todos os níveis sociais que dela quiserem se valer. Trata-se de educação ao alcance de todos, mas, em três dimensões complementares: educação com domínio dos principais conhecimentos aos quais o mundo científico dá sustentação na qualidade de promotor do saber; educação popular com conhecimentos ao alcance de todas as pessoas de qualquer nível social; tanto os conhecimentos de domínio científico quanto os ao nível popular estão disponibilizados a todos os interessados.

Observação: estas são apenas chamadas aos princípios de educação contemporânea, ainda sem as diretrizes curriculares.   

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A informação é o melhor remédio!!!

2 comentários:

  1. estou fazendo o tratamento com minha filha de oito anos esta na terceira serie ela nao sabe ler agora so to esperando fazer um exame para a pedagoga me da o diagnostico se e ou nao ou e falta de atençao nao sei falar o nome acho que e dificiti de atençao e isso

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  2. Lembrando que TDAH não é um Distúrbio de Aprendizagem.
    O transtorno e déficit de atenção com hiperatividade é uma alteração neuropsicológica que gera dificuldades de aprendizagem. São coisas diferentes. Uma criança com TDAH pode ter um DISTÚRBIO DE APRENDIZAGEM (EX. DISLEXIA), mas isso não é regra.

    E outra coisa... o diagnóstico de TDAH e dos DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM é dado por meio de uma equipe multidisciplinar.

    abcs

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