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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Visão farmacológica sobre a Ritalina (Metilfenidato) droga usada em tratamento do TDAH. Será mesmo igual à cocaína?

De acordo com matéria veiculada pelo jornal  Globo News, em 12/11/2010, o Brasil é o segundo maior consumidor mundial de Ritalina, nome comercial do  Metilfenidato,  a droga  mais usada para casos de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade).  Assustei-me quando ouvi dizer que esta droga era igual à cocaína. Como no mundo farmacológico dizem que o nome dos remédios revela muitas coisas, fui perguntar à uma grande amiga minha, farmacêutica, que não tem ligação com nenhuma indústria farmacêutica e nem atua na área clínica, se a informação procedia.   Quis ouvir a opinião de alguém desta área que fosse "neutra" para entender "que raios" significa esse nome e quais são as consequências para o organismo.


A ENTREVISTA


Vanessa Martos Gasquez - Em seu universo profissional o que significa esse nome: Metilfenidato, conhecido comercialmente como Ritalina?
Priscila R. Santos -  Metilfenidato (Ritalina) é um estimulante leve do SNC (Sistema Nervoso Central), estruturalmente relacionado com as anfetaminas, ou seja, um psicoestimulante que provoca maior produção e reaproveitamento dos neutrotransmissores , como Dopamina e Seratonina. 


VMG - Já ouvi dizer por aí que o princípio ativo e as conseqüências deste medicamento são iguais ao da cocaína. Essa informação procede? Talvez seja pelo fato deste medicamento ser utilizado em clínicas de desintoxicação no tratamento de viciados em cocaína?
PRS - O metilfenidato e a cocaína fazem parte da mesma classe de drogas, ambos são psicoestimulantes e atuam aumentando a recaptação da dopamina no núcleo acumbens (centro do prazer). Um estudo de Paul Greengard da Universidade Rockefeller sugere uma forte indução de dependência, gerada pelo uso de metilfenidato, cujo efeito é similiar ao efeito gerado pela cocaína.

VMG -  Para comercialização, os remédios são vendidos com tarjas vermelha e preta e com receitas azul e  amarela. Você poderia explicar para gente o que significam esses códigos? E em qual deles pertence o Metilfenidato?
PRS - Os medicamentos psicotrópicos são classificados em listas A, B e C dos quais para cada lista de medicamentos existe uma receita específica, assim como sua tarja na caixa. Os medicamentos controlados dessas listas encontram-se relacionados na portaria 344/98 da Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Dentre os medicamentos da lista C estão os medicamentos de tarja vermelha, dos quais não podem ser vendidos sem a retenção da receita pela farmácia. A receita médica é prescrita em 2 vias, sendo a primeira retida e a segunda via carbonada entregue ao paciente, são os chamados medicamentos psicotrópicos sujeitos ao controle especial.
Os  medicamentos da lista B e B2 são os medicamentos psicotrópicos e anorexígenos (inibidores de apetite), os conhecidos “Tarja preta”. Nessa classificação incluem os ansiolíticos, tranquilizantes, anorexígenos, antidepressivos, antipsicóticos, sedativos e hipnóticos. Sua comercialização e prescrição se dá pela receita azul, também retida na farmácia. 
Já os medicamentos da lista A, do qual o metilfenidato se enquadra, estão os entorpecentes das lista A1 e A2 (Ritalina) e A3 os psicotrópicos estimulantes do SNC (anestésicos, analgésicos opiódes e não opióides), comercializados e prescritos na receita amarela, também retida pela farmácia
. Saliento ainda a informação de que a receita amarela só é usada para receitar dois tipos de medicamentos: a ritalina e a morfina. 


VMG
  - Em sua opinião como farmacêutica você acha que essas drogas causam dependência química?  Tenho ouvido dizer também  que muitas pessoas andam usando essa droga para potencializar o cérebro com o intuito de "ficarem mais inteligentes".
PRS - Bom, em relação à dependência química é importante ressaltar que essa classe de medicamentos deve ser administrada com o acompanhamento médico para que seu uso indiscriminado não lhe traga "surpresas desagradáveis" no decorrer do seu tratamento. O metilfenidato é uma droga usada para o tratamento do déficit de atenção e da hiperatividade (DDAH), e não tem nenhuma relação com o ganho de inteligência. Seria muito bom se a ciência conseguisse descobrir um medicamento para ficarmos inteligentes! As universidades iriam à falência.  

VMG  - Você pode nos dizer, sob o ponto de vista farmacêutico, como a Ritalina  atua no organismo? Quais são as conseqüências?
PRS – A Ritalina atua como um estimulante do SNC (Sistema Nervoso Central) ativando o sistema de excitação do tronco cerebral e córtex. Agora, não tenho como dizer sobre as consequências porque o mecanismo pelo qual ele produz seus efeitos psíquicos e comportamentais em crianças, por exemplo, não está ainda claramente estabelecido, nem há evidência conclusiva que demonstre como esses efeitos se relacionam com a condição do SNC. 


VMG - E sobre os efeitos colateriais, quais são?
PRS - Partindo do conhecimento que toda e qualquer substância química pode causar danos e efeitos colaterais, com o metilfenidato não é diferente. Posso citar que os principais efeitos a curto prazo são: a redução de apetite; insônia; cefaléia e dor abdominal. Já a longo prazo, pode-se verificar alterações discretas da pressão arterial e frequência cardíaca, porém o metilfenidato pode ser  considerado uma medicação clinicamente segura no tratamento do TDAH, apresentando um perfil bastante satisfatório de efeitos colaterais. 
 
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Mais informações sobre a Ritalina

Quem se interessar em saber mais sobre este medicamento sob a ótica médica, recomendo duas entrevistas, com especialistas diferentes. A médica Maria Affonso Moysés, pediatra e doutora em Medicina pela USP (Universidade de São Paulo); Livre-Docente em Pediatria Social pela Unicamp e Professora Titular de Pediatria na Unicamp, afirmou em matéria veiculada pela revista  Carta Capital, em 20/02/2011, ser   contrária ao uso da medicalização porque entende que o TDAH não é uma doença. Clique aqui e leia a reportagem na íntegra. 
 
Em outra reportagem, veiculada no Jornal da Cidade de Bauru, você pode conhecer a opinião do neurologista do Hospital Albert Einstein e vice-presidente da ABD (Associação Brasileira de Dislexia), Abram Topczweski , que é  favorável ao uso do Metilfenidato. O link da matéria não entra diretamente na reportagem. É necessário usar o buscador, inserindo a data de publicação: 08/08/2010 e ir até a página 08 cujo título da matéria é:  Sociedade atual gera mais hiperativos e a página 09 publica a matéria Medicalização de hiperatividade é polêmica . O link do jornal é: http://www.jcdigital.com.br/

Clique aqui e acesse a reportagem do Jornal da Globo News afirmando que em 2009 foram consumidos quase 2 milhões de caixas de Ritalina e que a situação preocupa especialistas em educação.

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A informação é o melhor remédio!!!

14 comentários:

  1. Vã a matéria ficou otima, espero ter ajudado e estou á disposição caso alguém tenha alguma dúvida.
    prifarma@hotmail.com

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  2. oi Vanessa... parabéns pela excelente matéria e entrevista... tema importante... tb ja postei sobre Ritalina, vou add o link para o seu post...

    Ritalina, Cocaína de farmácia?
    http://tocadocoelhovoador.blogspot.com/2009/06/ritalina-cocaina-de-farmacia.html

    Ritalina: Cocaína sem Censura
    http://tocadocoelhovoador.blogspot.com/2010/06/ritalina-cocaina-sem-censura.html

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  3. Vanessa, Muito esclarecedor, Parabéns!!!postei no meu facebook e twitter...Beiujossss

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  4. Cara Vanessa postei sua matéria no meu facebook. Ótima. Vc sabia que essa droga tem sido usada indiscriminadamente pelas pessoas que fazem concurso público para aumentar a performance? Triste... especialmente depois de saber dos efeitos colaterais

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    1. Infelizmente prezada Gisele, estas questões de maus profissionais e dependentes químicos extrapola a área de saude. Além do que, toda medicação possui efeitos colaterais. Não se pode privar uma população enorme de portadores de transtornos de serem devidamente medicados por haver abuso em outras áreas. Sei por exemplo que muitos homosexuais usam anti-concepcional. Vamos então impedir a venda? A senhora concordaria com isso? Obrigado

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  5. Prezada jornalista. Eu a parabenizo pela sua isenção e disposição de informar corretamente. Sou apenas um portador de TDAH, logo sem capacitações técnicas que não de um estudante leigo na matéria. Afinal, sou portador, pai e avô de TDAH e sei de minha longa busca por sanidade e oportunidades iguais aos meus "semelhantes"
    Gostaria porém de dar uma pequena informação. Existe consenso médico no mundo civilizado entre OMS, ANVISA, e as mais importantes associações médicas no mundo. O TDAH tem um tratamento confirmado como eficiente em 80% dos casos cm metilfenidato, sendo que exitem outros e levando-se em conta que o tratamento é multimodal, envolvendo psico-educação, terapias, medicação e complementares para crianças e adultos. Claro deve ser corretamente diagnosticado e precisa de acompanhamento como tantos outros transtornos.
    Cabe me porém informá-la que a Dra Moises é uma pediatra e não tem nenhuma especialização em transtornos neurológicos e oscila entre negar a existência de TDAH, Dislexia e outros tantos como depressão, autismo etc por não terem um marcador biológico e diagnóstico clínico. A mesma age mais com uma política aparecendo em vários programas de repercussão transferindo a questão aos pais (omissos, permissivos) e aos professores (incapacitados, mal pagos, etc). Estas críticas em nada contribuem para a saúde pública, uma vez que não se posicionam claramente, nem tampouco oferecem alternativas viáveis. Além de é claro serem anti-éticos denegrindo seus colegas neurologistas, psiquiatras e psicólogos que trabalham na área de saúde, fazendo insinuações de conluios com as "milionárias" industrias farmacêuticas. Tais afirmações permanecem impunes e improvadas. Desrespeita a ANVISA e a OMS que autorizam estes medicamentos e tratamentos. Se a senhora verificar, verá o tom de deboche e insinuações maldosas acompanhadas de caretas de um jogador de truco. O que não seria certamente uma postura de um profissional sério e interessado em saúde da população. Obrigado!

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    1. Ivan, obrigada mais uma vez pela participação. Para que possa responder melhor aos seus questionamentos, você que se diz portador, pai e avô de TDAH, me responda uma pergunta com sinceridade: você considera-se um doente mental? considera seu filho e seu neto um doente mental?

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  6. Vanessa, meu filho é TDAH e faz acompanhamento multimodal,e uso de ritalina.
    porém não podemos considerar portadores de TDAH doentes mentais pois se nos atentararmos aos termos doença,significa um estado transitorio de multação ao estado natural de saude do oarganismo cuasdos noramalmente por virus,bacterias ou microorganismos diversos.
    sendo assim TDAH é um transtorno um desequilibrilio podemos dizer de forma grosseira na produção e captação dos neuoronios.Causando instabilidade no comportamento.
    Lembrando que ninguém fica TDAH ele apenas descobre que é uma condição permanente.

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    1. Elisangela, concordo com você. Mas, infelizmente, não é esse o entendimento de que muitos estão tendo. Dê uma pesquisada na página da própria associação do Défict de Atenção.

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  7. Obrigada Vanessa pela sua disposição em falar sobre a questão, entendo sua opinião como mais uma matéria em relação a sua profissão de Jornalista e como pedagoga gostaria de saber se já conviveu, deu aula ou orientou algum adolescente com o suposto TDH, ? creio que não percebe-se que voçê pesquisou em alguns artigos sobre o assunto mas não tem alguma experiência sobre o mesmo.

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  8. vanessa obrigada pela disposição em publicar a matéria como jornalista, e como pedagoga pergunto se você já foi professora , e ou orientadora pedagoga ou já acompanhou de perto um suposto TDAH? Se poder responder agradeço e posso expor minha opinião com respeito achei sua matéria baseada em artigos que já li bastante e sem definição, assunto legal, mas sério mesmo e em discussão seria se fosse relatado por um profissional especifico e pesquisador no assunto .

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  9. Olá Gisele, obrigada por participar do BLOG.

    Pesquiso, vivencio o assunto há muito tempo. Por isso, acho infeliz de sua parte achar que não tenho experiência sobre o assunto. Se para você o que lê é sem definição e não é sério, sugiro que reveja sua postura e abra seu coração, sua mente.

    Entenda que no mundo da Ciência não há nada definido. Há hipóteses que devem ser pesquisadas e testadas. E no universo TDAH e Dislexia há hipóteses a serem investigadas nas duas linhas de pesquisas: para quem acredita e para quem não acredita. Resumindo: é preciso saber brincar de jogar xadrez rs.

    Como Jornalista te digo com todas as letras que não há respostas lógicas e coerentes a respeito dos marcadores biológicos que a priori deveriam confirmar a existência destes transtornos. Por isso, enquanto a Ciência não nos der uma RESPOSTA CONCLUSIVA PARA TODOS OS CASOS, não há como se afirmar CIENTIFICAMENTE QUE TAIS TRANSTORNOS EXISTEM.

    Agora, como Professora de crianças, que trabalha no ensino público e que já teve alunos com Dislexia e TDAH posso lhe assegurar que algo de estranho acontece com algumas crianças e QUE É FATO COMPROVADO QUE ELAS APRENDEM E SE COMPORTAM DE FORMA DIFERENTE.

    Como Jornalista me pergunto: se não há comprovação científica, quais são os interesses escusos a respeito disso tudo? Por que a Ciência praticada em torno desse assunto não é democrática? ??

    Como Professora me pergunto: se aprender de forma diferente pode ser mesmo uma doença???

    Como indivíduo me pergunto: o que seria mesmo doença??? Levaria à morte????

    São questões que espero que abram o seu coração e a leve a pesquisar mais para poder chegar a uma conclusão por si só.

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    1. Quem não tem ou conviveu com um TDAH nunca vai entender o que acontece com agente e de como somos criticados pela sociedade, o povo vomita ignorância, falam asneiras, e acham que sair catando milhos de informações e criticas na internet vai ajudar aqueles que tem esse transtorno. Resumindo, Vanessa você é uma narcisista, como dizia a musica do Renato Russo: "é como tentar explicar as cores pra um cego.

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  10. Mais uma droga sendo inserida nas nossas crianças , jovens e em toda sociedade.Nem todos seres humanos sao iguais. Isso é abominavel. A falta de paciencia,zelo e compreensao por parte das mulheres que querem filhos mas nao assumem a responsabilidade de ser mae, faz com que as crianças sejam jogadas na sociedade, nas escolas sem qualquer base. Pais frouxos que nao punem os filhos e nem impoem limites, preferem apenas tacar remedios e drogas licitas com a desculpa de que eles tem problemas, quando na verdade a origem de toda desordem é causada pelos proprios pais que vivem uma vida cheia de maus exemplos. Para mim estes que se utilizam de calmantes e drogas para controlar filhos sao criminosos alienados.

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