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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ritalina + ecstasy = balada hiperativa - As facilidades da compra

Matéria veiculada pela Folha Equilíbrio, em  28/09/2010, já denunciava o uso da Ritalina misturada com ecstasy em baladas para promover uma noite “hiperativa” e “inesquecível”. Nenhuma novidade para a polícia e quem atua na área sabe muito bem que o uso “virado aos avessos” da ritalina já é praticamente rotina, encontrada noite adentro, durante as blitzs em busca de drogas.

Se para a polícia é difícil conter as drogas ilícitas, imagina agora com a facilidade de acesso a uma droga similar à cocaína (ritalina/metilfenidato).  A compra deste medicamento/droga, que faz parte da categoria dos entorpecentes, pode ser feita em qualquer  farmácia de esquina cujo preço médio varia em torno de R$ 25,00. Basta apresentar uma receita amarela (é aquela que só comercializa dois tipos de drogas: a própria ritalina e a morfina e que explico em outro post). Você deve estar se perguntando então como é feito o diagnóstico do TDAH que dá autoridade ao médico poder prescrever um medicamento desta categoria.   

Vamos lá entender o processo ...........

Até o momento, pelo que sei, não existe exame físico que possa comprovar a existência do TDAH como sendo uma doença, ou seja, é diferente, por exemplo, do diabetes. Você vai lá no laboratório, tira o sangue e o resultado do exame indica se tem ou não tem. Não há erro. Não há dúvidas. Por isso, existe tanta polêmica em torno da existência ou não deste transtorno. Enquanto a ciência não consegue dar uma resposta mais conclusiva, apontando uma “evidência física incontestável”, o diagnóstico é feito, na maioria dos casos, por meio de um tal de questionário, conhecido no meio médico como SNAP-IV, formulado a partir dos sintomas do Manual de Diagnóstico e Estatística – IV Edicação (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria.  É daí a expressão “diagnóstico clínico” porque é feito em cima deste questionário e de uma conversa entre médico e paciente.  Caso o paciente responda 6 das 10 perguntas, o médico já pode indicar o uso da Ritalina. Isso é o procedimento padrão e não vão brigar com os médicos! Eles estão apenas cumprindo o seu papel diante das ferramentas a que tem acesso e que foram aprovadas pelos governos. Se decidem prescrever ou não, já é outra história. O fato é que é assim que funciona a lógica do diagnóstico clínico para o TDAH que gera acesso ao medicamento.     

Não é por acaso que o Brasil já é o segundo maior consumidor de Ritalina no mundo. É muito simples consegui-la pelas vias oficiais. Um remédio tão forte não deveria poder ser prescrito com tanta facilidade numa única consulta, com um único especialista, por mais experiente que ele seja, em cima de um questionário, que na minha opinião parece mais um daqueles testes de revista feminina para saber se ele tá afim de você ou não. Duvida? Sugiro que leia o tal questionário, ele está disponibilizado na página da ABDA - Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Clique aqui e veja com os próprios olhos.

Enquanto as autoridades fazem vista grossa à gravidade do assunto, a indústria farmacêutica comemora o grande sucesso de seu produto.  
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Caso queira ler a matéria da Folha Online, clique aqui.

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A informação é o melhor remédio!!!

2 comentários:

  1. Cara Vanessa, boa noite!
    Em se tratando de TDAH, existe, sim, por parte de muitos profissionais médicos (Psiquiatras, Neurologistas e Neuropediatras), uma forte tendência pela medicalização de seus pacientes (em especial, crianças). E isso tem se focado no antigo "made in USA", através de "testes" que não foram formulados para avaliar o sujeito, como um todo. Limitando-se, apenas a gerar parâmetros que objetivam subsidiar um quadro potencial para rotular o sujeito testado. E o único objetivo é gerar receita através da drogadição desenfreada. Estes "testes" não levam em consideração os aspéctos sócio-afetivos dos sujeitos testados, pois baseiam-se em padrões pré-estabelecidos de conduta, o que, infelizmente é seguido por muitos profissionais tendenciosos e não qualificados para lidarem com tudo o que foge do dito "normal". O diagnóstico, propriamente dito, deve ser diferencial, isto é, deve ser feita a anamnese, envolvendo os aspéctos da vida do paciente, como um todo(a família, a escola, as preferências e os interesses, etc). Já existem pesquisas, no próprio EUA que alertam para os prejuízos sociais e cognitivos, em decorrência da cultura da medicalização (drogadição), em indivíduos em idade escolar, que por uma razão ou outra, fogem dos padrões dito "normais". Este procedimento, além de não resolver a questão em si, deixa o indivíduo com os seus sentimentos embotados, causando uma falsa "normalidade". E sem falar nas inúmeras intoxicações, causadas por uma gama exagerada de drogas no organismo do paciente(muitas delas até em carater experimental). Este tipo de conduta só está sendo notado agora, mas sempre existiu entre indivíduos de todas as faixas etáreas.

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  2. Olá Vanessa,
    Como vai?
    Sobre a comprovação da TDAH, é isso mesmo, não há um teste que seja conclusivo. Mas há uma exigência social de produzir o mais rápido possível, uma super excitação do indivíduo, com informações, imagens, ações, pressões, desde pequenos... Assim, as pessoas sofrem a exigência de serem mais rápidos, e quando o são, sofre a exigência de controlar esse ritmo...
    Quanto ao uso de Ritalina e seus malefícios, não é preciso ir muito longe para comprová-los, basta ler a bula da própria medicação.
    Muitos dos pais de crianças que eu atendi, deixaram de seguir a recomendação médica após a leitura da bula. Mas estes pais são exceções. A maioria das pessoas toma o medicamento e não sabe nem para que ele serve...
    Esta é a nossa conduta que precisa ser revista urgentemente...

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