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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Petição à SAE Presidência da República contra o ASQ


O Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib) mantém no site Petição Pública um manifesto de repúdio à adoção de políticas públicas de avaliação em larga escala do desenvolvimento da criança de 0 até 6 anos de idade, por meio de questionários, como o ASQ; testes; provas e quaisquer outros instrumentos do gênero, seja em âmbito nacional, estadual ou municipal.

Os integrantes do movimento argumentam que tais procedimentos desconsideram a concepção de Educação Infantil e de avaliação presentes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394/96), no Parecer CNE/CEB nº 20 de 11 de novembro de 2009, nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 05 de dezembro de 2009) e nos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009).


Para assinar a petição, clique aqui.

Para saber sobre o Mieib, clique aqui.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Corrida para lugar nenhum






Ser criança ou adolescente hoje em dia pode ser sinônimo de agenda cheia. Não de brincadeiras e nem de tempo para descobertas, mas repleta de compromissos de gente adulta que exigem um grau de amadurecimento que  elas ainda não atingiram. O vídeo acima é um exemplo concreto desta crua realidade. Embora sejam entrevistas com alunos dos Estados Unidos, elas refletem o sentimento unânime de pressão, vivenciado por alunos tanto de lá como daqui e de qualquer outro país no mundo que utiliza provas de mensuração para dizer qual escola ou aluno é melhor que outro.  Talvez a única diferença que possa ser citada é o fato de que nos EUA as crianças também recebem um saco de vômito junto com o kit da prova, conforme relatou o neurologista infantil Steven Lawrence Strauss, do Franklin Square Hospital, durante o II Seminário Internacional sobre “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”, que aconteceu entre os dias 11 a 14 de novembro na Universidade Paulista (UNIP).

Essas avaliações fazem com que todo o sistema educacional mire os esforços não na formação sadia de um futuro cidadão, mas sim na formação voltada a um conteúdo formatado em padrões que são os exigidos por essas provas.

O índice de mensuração internacional mais conhecido é o PISA, do qual o Brasil faz parte e está na 53ª  posição.  Em nível federal temos a Prova Brasil e o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). Cada Estado também pode elaborar sua prova de mensuração. Em São Paulo, por exemplo, temos o SARESP.  Para o Ensino Fundamental I,  o SARESP realiza provas para as turmas do 3º e 5º ano, ou seja, envolve crianças com idades  de 8 e 10 anos.

Para as crianças dos 5º anos, as provas são aplicadas como se fossem um verdadeiro concurso público, com direito a todos os requisitos. Vejam só se não tenho razão: não é a professora da turma quem aplica as provas, quem aplica é outra professora, de outra escola, muitas vezes uma completa desconhecida para a turma. Vem também um fiscal externo acompanhar todo o procedimento. Quando as provas são entregues, as crianças são orientadas a não virar antes do tempo determinado, escrito na lousa, igualzinho a um concurso público: horário de início tal, horário de término tal, tempo mínimo  de permanência tal........... e........... caso... queiram ir ao  banheiro ou tomar água................ chama-se o fiscal! É ele quem  acompanhará a criança até o bebedouro ou banheiro...... igualzinho a um concurso público de verdade........com a exigência até de preencher à caneta aqueles gabaritos lidos por computador... a única diferença é que não assina a prova..... apenas escreve o nome completo rs... .e isso porque estamos falando de crianças cuja idade gira em torno de 10 anos!!!!!! 

Será que isso não foi levado em conta? Nossa.................. tenho tanta curiosidade de saber desses profissionais que elaboram todo esse esquema de provas se por acaso eles lembraram-se de que se trata de crianças, que de acordo com Jean Piaget, ainda encontram-se transitando entre a fase final operatória e a operatória concreta do desenvolvimento cognitivo? Traduzindo: isso significa na prática que ainda não estão maduras o suficiente para encararem um procedimento que envolve responsabilidades de adulto e que em muitos casos, dependendo do resultado final, decide valores de verbas e bônus financeiros às escolas e professores.

Não é muita pressão?

Concorda comigo?

Peraí que ainda não terminei......


Sabia também que já está rolando um teste  para crianças de creche e de educação infantil? É verdade! Crianças de 0 a 6 anos estão sendo avaliadas via ASQ (Ages & Stages Questionnaires), teste elaborado pelos EUA, importado pelo governo brasileiro e sendo testado em  fase piloto no estado do Rio de Janeiro.

De acordo com reportagem publicada no site da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, para cada faixa de idade existe um questionário com 30 perguntas que avalia o desempenho da criança em diferentes quesitos: comunicação, coordenação motora, resolução de problemas e capacidade de socialização. Além de medir o estágio de desenvolvimento infantil, o ASQ traz sugestões de atividades a serem desenvolvidas pelos educadores com crianças que apresentaram déficit de desenvolvimento em cada faixa etária.

Aonde vamos parar???????

Alguém aí arrisca uma resposta?

Eu acho que um dos motivos do aumento de diagnósticos de TDAH e Dislexia tem relação com essa pressão toda. Cria-se um padrão de excelência que exige a homogeneidade nos saberes adquirida nos mesmos moldes de uma linha de produção fordista e toyotista...... quando............ na............ verdade.............. o que  precisamos mesmo  é voltar a atenção a que tipo de ser humano os governos  pretendem que as escolas possam formar..................


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Para saber mais sobre o projeto piloto brasileiro do teste ASQ clique aqui.

Para saber mais sobre o resultado brasileiro no PISA, clique aqui

Para conhecer a Prova Brasil, clique aqui

Para saber sobre o SARESP, clique aqui



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Aprendizado de outro idioma

Vinícius Reis Cordeiro, profº de língua inglesa




Independente das discussões acerca da existência ou não do TDAH e da Dislexia quem leciona sabe muito bem que uns aprendem mais rápido e outros nem tanto. Agora imagine essa diversidade na aprendizagem de um segundo idioma. Difícil, com certeza! Pensando nisso, convidei um amigo meu, professor de língua inglesa, Vinícius Reis Cordeiro, para compartilhar sua experiência. Ele leciona para crianças aproximadamente há um ano na rede municipal de Santo André, onde os alunos do Ensino Fundamental contam com aulas semanais de língua inglesa .   “A experiência com crianças tem sido uma grande surpresa, pois nessa fase  possuem uma facilidade incrível para decorar vocabulários novos e também para assimilarem a pronúncia em inglês, cujo som não estão acostumados. Minhas aulas são apenas orais, pois a parte de leitura e escrita pode atrapalhar o aluno, justamente por estar no processo de alfabetização ainda, porém na parte da oralidade os alunos se saem muito bem e gostam muito, devido ao grande interesse que possuem em aprender outro idioma”, afirma Cordeiro.

O professor fez um intercâmbio nos EUA  e afirmou que o método que usam lá é praticamente o mesmo utilizado aqui para o aprendizado da língua inglesa e que antes de assumir o cargo teve treinamento para lecionar para crianças especiais e com distúrbios de aprendizagem. “A língua inglesa é algo totalmente novo para a criança. Ela não está inserida no contexto formal, porém nos dias de hoje, músicas; filmes; jogos de computador; vídeo games; redes de fast food etc, estão todas cheias de palavras em inglês e é algo que faz parte do cotidiano do aluno informalmente. O intuito das aulas para crianças é fazer com que elas tenham contato com a língua, com que a mente delas fique familiarizada com a fonética do inglês. Para os alunos com dificuldades de aprendizagem, primeiramente é necessário dedicar um tempo maior. É preciso entender e respeitar que esse aluno não tem o mesmo ritmo dos outros colegas, mas tem condições de alcançar a mesma aprendizagem”, argumentou.

Para Cordeiro, os alunos aprendem muito com o visual, por isso é de extrema importância levar figuras; vídeos; músicas; coisas que despertem o interesse desse aluno. “O que conta muito é fazê-los desenhar, sentir-se participando da aula e para isso é preciso motivá-lo, incentivá-lo, oferecer exemplos pessoais que despertam o interesse. Isso vale para todos, inclusive alunos especiais. É importante também revisar o conteúdo e de maneiras diferentes. É necessário um tempo a sós com alunos com dificuldades de aprendizagem, fazê-los pronunciar as palavras com calma, ouvir histórias em inglês, onde o mesmo pode  acompanhar apenas as figuras, assim sua mente assimilará o que ele ouve em inglês. Acredito que todo esse processo é visando o futuro desse aluno. Inseri-lo desde pequeno no universo da língua inglesa propiciará, quando chegar na fase adulta, que seu consciente esteja muito mais familiarizado com o novo idioma e ele terá muito mais facilidade para realmente aprender uma nova língua, com questões gramaticais, escrita, leitura, etc”, finalizou.



Dislexia e uma segunda língua


Para o  pedagogo  Juan Uribe  alunos disléxicos também aprendem línguas. “Aprendem quando o método pelo qual a língua é apresentada é apropriado a forma como eles melhor aprendem”, afirma. Para ele, disléxicos aprendem melhor quando se movimentam, falam sobre si, desenham, criam, participam com o que melhor fazem. “Cada disléxico têm suas características, sua história e suas habilidades que representam desafios pedagógicos para o educador”, afirmou em artigo publicado no site da Associação Brasileira de Dislexia.

Segundo ele, o educador que trabalha afetivamente com um aluno disléxico consegue atuar melhor quando discute com o aluno formas de planejar, registrar e avaliar o estudo, tanto em seu conteúdo quanto em sua forma. “Este diálogo e a construção desta parceria é fundamental para que possamos ter um clima de transparência e confiança entre aluno e educador. Este clima fortalece o processo de aprendizagem  nos momentos de devolutiva e discussão sobre como ambos se sentem e como o progresso é sentido. Este educador deve ser um pesquisador curioso que estude a Dislexia e que registre o processo pelo qual passa com este novo aluno, para que possa também organizar seus pensamentos e agir de uma forma consciente e reflexiva. Uma ação espontaneísta priva o aluno disléxico de progredir. Trabalhar a auto-estima mostrando que ele também é capaz, porém aprende de outra forma e em outro ritmo aliado a um trabalho conjunto com a família são ingredientes fundamentais. O disléxico aprende e trabalhar com ele é um desafio”, afirmou.

Abaixo algumas formas que o pedagogo Juan Uribe utiliza e que segundo ele tiveram bons resultados com alunos disléxicos:

Utilize movimento entre atividades curtas;
Faça projetos de interesse do aluno;
Mostre seus objetos pessoais, suas fotos, fale de você;
Desenvolva projetos de artes que tenham produtos;
Valorize e incorpore atividades nas quais o aluno tem sucesso;
Tenha momentos de relaxamento e descontração no inicio e no fim de aulas;
Faça revisões freqüentes, de formas diferentes;
Trabalhe o conteúdo de diversas formas;
Utilize diferentes cores e associe figuras a palavras;
Use músicas e ritmos;
Escreva com giz grande e use massinha;
Use o computador e jogos para fixação.


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Para saber mais sobre o projeto de aulas de inglês no Ensino Fundamental,  desenvolvido pela rede municipal de educação de Santo André, clique aqui

Para conhecer o trabalho de Juan Uribe, clique aqui 

O portal da BBC, mantido pelo governo britânico, oferece plataforma interativa e gratuita  para o aprendizado da língua inglesa. O portal é dividido para dois públicos: alunos e professores que podem acessar material estruturado para a elaboração de aulas.

Clique aqui e acesse o portal para alunos.

E aqui para professores.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

É adulto? Foi diagnosticado TDAH? Precisa saber disso....



Está acontecendo uma pesquisa muito interessante na Universidade Federal do Espírito Santo. Um grupo de pesquisadores, ligados ao Núcleo de Estudos e Pesquisa em Subjetividade e Política, o NEPESP, busca contactar adultos que foram diagnosticados TDAH para pesquisar o impacto que um laudo positivo tem na vida destas pessoas bem como a questão da medicalização.

A pesquisa está sendo coordenada por Luciana Caliman,  pós-doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,  doutora e mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da  Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Atualmente Caliman é  professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Institucional da Universidade Federal do Espírito Santo.


Entrei em contato com a pesquisadora  para saber mais  informações e ela concedeu a entrevista abaixo, por email em 28/11/2011.


Vanessa Martos Gasquez - Por que escolheu pesquisar o impacto que o diagnóstico de TDAH tem em indivíduos adultos? A Dislexia também entra na pesquisa? 

Luciana Caliman – Desde o doutorado tenho trabalhado com a temática da atenção e (des)atenção e o TDAH e este diagnóstico está no foco do meu trabalho. Ao discutir o processo de expansão do TDAH, falamos que ele se expandiu interna e externamente: interna, porque a categoria cresceu, se alargou para incluir outros sintomas e outros grupos etários, como o adulto; externa, porque cada vez mais o TDAH tem alargado as fronteiras espaciais de seu mapa epidemiológico. Daí surge a necessidade de pesquisar o diagnóstico adulto, que é super recente e nem sequer é totalmente incluído no DSM IV.

Agora estou desenvolvendo outras pesquisas, especialmente no que diz respeito às políticas de educação e saúde voltadas para o TDAH. Na saúde, estamos pesquisando as políticas da Assistência Farmacêutica do Espírito Santo, voltadas para o transtorno, já que o Estado dispensa o Metilfenidato (Ritalina) pelo SUS. O número de adultos diagnosticados tem crescido significativamente e de forma acelerada, enquanto quase nenhuma pesquisa de caráter  qualitativo tem sido feita para acompanhar os efeitos deste crescimento.

Muito se fala sobre os riscos de problemas cardiovasculares associados ao consumo do remédio Metilfenidato, especialmente em adultos, mas poucas são as iniciativas de estudos que acompanham o efeito a longo prazo do medicamento no adulto. Por outro lado, meu objetivo maior é pensar o impacto não do medicamento, que é super importante, mas do diagnóstico na vida das pessoas diagnosticadas. Vejo o diagnóstico como uma tecnologia subjetiva que produz efeitos existenciais, políticos e sociais e quero analisar que efeitos são estes. Não trabalho diretamente com a Dislexia, mas quando analisamos o efeito de um diagnóstico psiquiátrico na vida das pessoas diagnosticadas, percebemos que alguns efeitos podem ser generalizados para outros diagnósticos.


VMG - Poderia resumir em qual momento da pesquisa a professora está?

LC - Então, a pesquisa do pós-doutorado foi finalizada em 2009, mas muitas coisas do material produzido ainda estão sendo analisadas e repensadas. Parece que nunca efetivamente terminamos uma pesquisa quando continuamos estudando o assunto!

Aqui no Espírito Santo, esta pesquisa se desdobrou em outra que está em seu início e que definimos como pesquisa-intervenção. No semestre que vem, começaremos a realizar rodas de conversa com adultos diagnosticados com TDAH que retiram o medicamento (Metilfenidato) na farmácia cidadã metropolitana. Nosso objetivo é dar voz à experiência que estes sujeitos têm da medicação e de serem diagnosticados com TDAH, ou seja, queremos investigar os efeitos do medicamento e do diagnóstico na vida destas pessoas.

Acreditamos que quando narramos e  compartilhamos uma experiência ela é também alterada, re-significada, interferida pelo processo, por isso a escolha das rodas de conversa ou da técnica da conversa. Uma conversa não é monólogo e nem  diálogo. Uma conversa é sempre aberta ao plural, ao que destoa, ao que difere. Uma das coisas que me incomoda na fala das pessoas que narram a experiência de ser diagnosticado com TDAH, seja em livros ou na net, é que a narrativa é quase sempre a mesma, a história, os nomes, os apelidos, são sempre os mesmos. Buscamos acessar e/ou produzir falas singulares e encarnadas, que digam do concreto de suas vidas e não apenas repitam narrativas vendidas pela midia. Pensamos que a vida é mais singular.


VMG - De que forma  as pessoas adultas que já foram diagnosticadas como
portadoras de TDAH poderão ajudar na pesquisa?

LC - Acho que as pessoas que foram diagnosticadas com TDAH precisam dizer de sua experiência, compartilha-la e também repensá-la na conversa com o outro. É com base nesta experiência que podemos criar ferramentas para melhor acompanhar as políticas direcionadas ao TDAH e neste sentido torná-las  efetivamente públicas.  

Uma coisa que descobrimos em uma pesquisa anterior que fizemos aqui no Espírito Santo  é que as pessoas que pegam o Metilfenidato no SUS não o fazem por muito tempo. Por que será? Podemos indagar, imaginar mas, precisamos dos usuários para dizer o que realmente acontece.

O Usuário não deve apenas "usar"  ou utilizar o SUS, mas geri-lo, criá-lo, construí-lo. A pesquisa tem também este caráter, estamos analisando o efeito de uma política pública. Neste caso, desta pesquisa especificamente, estamos trabalhando com uma população circunscrita: usuários de Metilfenidato da farmácia cidadã metropolitana de Vitória, ES. Aqui, não trabalhamos com entrevistas, mas com conversas, o que se aproxima da técnica dos grupos focais. Por isso,  neste momento estamos fazendo isso de forma presencial. Vejo possibilidades futuras de poder trabalhar com esta narrativa, via entrevista pela net, por exemplo.

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Quem foi diagnosticado TDAH na fase adulta e tiver interesse em colaborar com a narrativa da experiência da medicação e do diagnóstico, pode entrar em contato com a pesquisadora pelo email : calimanluciana@gmail.com


Para conhecer o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Subjetividade e Políticas – NEPESP/CNPq clique aqui
http://www.ufes.br/ppgpsi/nucleos_nepesp.html

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

“Remédio para TDAH ajuda crianças ou escolas?”


                      Heloisa Villela. Foto: Vanessa Gasquez


Heloisa Villela, jornalista, correspondente internacional e mãe de um garoto diagnosticado TDAH, foi convidada a participar do II Seminário Internacional “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos” para falar sobre sua história pessoal e os motivos que a levaram a pesquisar e escrever sobre o TDAH.

Começou a fala com uma pergunta: - Remédio para TDAH ajuda crianças ou escolas? Logo depois, contou  como foi ter ouvido dos educadores que seu filho apresentava “algo de errado” e que por isso era preciso buscar ajuda médica. Relatou ainda como foi a “via-crúcis”:  ouviu vários especialistas nos EUA e Brasil e como alguns deles recomendaram o uso do metilfenidato, decidiu pesquisar mais sobre o tal  remédio e como é feito o diagnóstico, elaborado, normalmente, via DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais). 

“Consegui uma entrevista com o Psiquiatra e professor Emeritus da Unversidade Duke, Dr. Allen Francês, que presidiu a força-tarefa que elaborou o DSM-IV.  Está bastante preocupado com os rumos que vem tomando a elaboração do DSM-V. Se antes, era possível diagnosticar o TDAH com apenas 6 dos 10 sintomas previstos pelo DSM-IV, agora com o V, ficará muito mais fácil porque pretendem baixar para apenas 3 sintomas”, afirmou.

Na entrevista, publicada pelo site Viomundo, o Dr. Francês afirma achar que existe um aumento surpreendente e alarmante do número de diagnósticos de TDAH e se segue a isso o excesso de prescrições de estimulantes. “Parte disso tem a ver com mudanças feitas no DSM-V mas é, principalmente, consequência da campanha de marketing agressiva da indústria farmacêutica, que começou três anos depois da publicação do DSM-V. E foi incentivada por dois motivos: trazer para o mercado novas drogas que ainda estavam sob patente e por isso mesmo poderiam ser vendidas por um preço alto. Em segundo lugar, nos Estados Unidos houve uma mudança na regulamentação que permitiu à indústria farmacêutica fazer propaganda direta ao consumidor, permitindo a eles colocar anúncios na TV, divulgar informação na internet, atingir pais, crianças, professores e médicos, especialmente clínicos gerais que foram encorajados a ver TDAH em comportamentos que antes não eram considerados parte do TDAH. Isso incentivou diagnósticos fáceis e um grande aumento no número de prescrições. O DSM-V promete piorar isso tudo ainda mais”, afirmou.

Por mudanças,
abaixo-assinado!

De acordo ainda com a entrevista, o Dr. Francês afirmou existir um abaixo-assinado circulando e que cerca de 5.000 profissionais da área de saúde mental já o assinaram logo na primeira semana. Na opinião dele, se esse abaixo-assinado decolar e centenas de milhares de pessoas o assinarem, acredita que o DSM-V vai ter que tomar conhecimento.


Mais informações...............

A jornalista também escreveu um artigo no site Viomundo onde fala sobre o livro “Anatomia de uma epidemia” (tradução literal para o português já que ainda não existe versão na nossa língua), do escritor Robert Whitaker, ganhador de prêmios na área de jornalismo científico.

Parte do artigo diz o seguinte: ..... Estamos falando em medicar e alterar, talvez para sempre, a química do cérebro de crianças de 6, 7 ou 8 anos de idade. E pior, sem saber exatamente o que está sendo alterado! Os mesmos psiquiatras, que receitam os remédios, não sabem dizer quais serão as consequências na vida daquele paciente mirim, dentro de 12, 15 ou 20 anos. Mas ressaltam que tudo é uma questão de custo/benefício. “Não é melhor a criança conseguir se concentrar para assistir aula e fazer os deveres?”, costumam perguntar. Uma amiga minha ouviu o seguinte: “Você não quer que o ambiente, na sua casa, se torne mais tranquilo?” Mãe de quatro filhos, o mais velho com 9 anos, ela garantiu que não. Se estivesse procurando sossego, não teria uma prole tão vasta.

Se os psiquiatras não sabem dizer o que vai acontecer com as crianças medicadas, as estatísticas já dão motivo de sobra para preocupação. Os estimulantes  usados para tratar a TDAH (ritalina e seus derivados) provocam uma montanha-russa diária nos sentimentos da criança. Ela sente o coração apressado pela manhã, depois de tomar o remédio. Algo estranho se passando por dentro do corpo, que deixa a criança quieta, calada e atenta. No fim do dia, normalmente, existe uma explosão de raiva, choro. É como diz o Whitaker: “Toda criança, sob o efeito de estimulantes, se torna um pouco bipolar”.

O doutor Joseph Biederman e a equipe do Massachussetts General Hospital mostraram, em 1996, que 11% das crianças diagnosticadas com TDHA, quatro anos depois foram diagnosticadas com bipolaridade, doença que não fazia parte do quadro inicial. Em 2003, o psiquiatra Rif ElMallakh, da Universidade de Louisville, costatou que 62% dos pacientes jovens com bipolaridade já haviam sido tratados com estimulantes e antidepressivos antes de apresentarem bipolaridade. E Gianni Faedda descobriu que 84% das crianças tratadas com bipolaridade na Luci Bini Mood Disorders Clinic, de Nova York, entre 1998 e 2000, já tinham sido expostas a remédios psiquiátricos......

E, termina concluindo: .....duvido que professores e diretores das escolas americanas, que descrevem os estimulantes como algo simples e necessário tal qual os óculos para os míopes, tenham alguma noção a respeito das possíveis consequências da medicação no longo prazo. Duvido que saibam diferenciar entre uma criança que tem problemas mentais agudos e talvez precise de remédios, de outra com alguma dificuldade de aprendizagem associada a um momento pessoal difícil, que produz um quadro parecido com a TDAH.

Mas eles são rápidos em sugerir uma visita ao pediatra ou, imediatamente, ao psiquiatra. E a avaliação dos professores, a respeito do comportamento dos alunos, em sala de aula, tem um peso enorme no diagnóstico final. Me parece que o assunto é muito sério e que os professores, por melhores que sejam, não estão capacitados para sugerir a necessidade de algum tratamento psiquiátrico.

Os remédios, com certeza, tornam mais administrável a sala de aula com quase 30 crianças. Já pensou se várias forem levadas da breca? Não pararem sentadas um minuto? Todas levam para a classe os problemas que trazem de casa. Mas eu sempre me pergunto o que faziam a Tia Rosa e a Tia Bela (juro que esses eram os nomes das minhas professoras primárias!). Também tínhamos uma sala de aula cheia. E me lembro bem de ter de sentar ao lado do pestinha da turma e chegar em casa com as maria-chiquinhas destroçadas de tanto que ele puxava meu cabelo, tentando sair da carteira. O que será que essas Tias-professoras têm a dizer dessa epidemia de TDAH?
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Para ler na íntegra a entrevista com o Dr. Allen Francês,  clique aqui.

Para ler na íntegra o artigo da jornalista Heloisa Villela, clique aqui.

Para saber sobre o Seminário, clique aqui. 

Para saber sobre o  DSM-V, clique aqui.  
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Chalita apresenta PL para alunos com dificuldades de aprendizagem

Crédito: Agência Câmara


Está em tramitação na Câmara dos Deputados outro Projeto de Lei que trata das dificuldades de aprendizagem, nas quais inserem-se a Dislexia e o TDAH. De autoria do Deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), atualmente o PL está sendo analisado pela Comissão de Seguridade Social e Família. O relator é o Deputado Dr. Aluízio (PV/RJ).

Este PL também trata-se de um PL conclusivo de comissões, igual ao PL 7081/10, ou seja, isso significa que caso obtenha voto favorável em todas as comissões, não precisará ir à votação no Plenário, torna-se Lei.

O PL apresentado por Chalita prevê oito ações:

- Planejamento para o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno, levando em conta as necessidades educacionais especiais de cada um;

- Formação continuada de professores para identificação precoce e desenvolvimento de pedagogia especializada para crianças e adolescentes com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;

- Difusão entre todos os profissionais e áreas da educação de conhecimentos sobre oproblemas de aprendizagem;

– Desenvolvimento de diagnósticos;

– Conscientização da necessidade de combate contínuo à exclusão ou estigmatização dos alunos com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;

– Abordagem sobre o papel e a influência da família e da sociedade em relação às dificuldades;

– Envolvimento dos familiares no processo de atendimento das necessidades específicas;

– Ampliação do atendimento especializado disponível para contemplar os casos de distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem.

Em entrevista à Agência Câmara,  Chalita  disse que acredita que a proposta favorecerá a educação inclusiva. “O tratamento constitucional do direito à educação está intimamente ligado à busca do ideal de igualdade que caracteriza os direitos sociais”, afirmou.

O Deputado argumenta que apesar da legislação atual prever o apoio da União para ampliar o atendimento aos alunos com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotados, não se refere às características específicas dos alunos com distúrbios ou deficiências de aprendizagem. “Objetiva-se que a educação regular não deixe na indefinição ou exclusão da atuação pedagógica alunos que, por falta de diagnóstico, não consigam transpor as barreiras no processo de ensino e aprendizagem”, afirma.

Problemas à vista ?

Fórum contra a Medicalização

Caso seja confirmada a candidatura de Chalita à Prefeitura de São Paulo creio que terá problemas pela frente. Digo isso porque quando era vereador na Câmara de São Paulo e ainda estava no PSDB tramitou um PL 86/06, do vereador Juscelino Gadelha, que justamente propunha algo semelhante ao PL proposto por ele. Na época, em 2009, a corrente contrária que defende a não existência destes transtornos conseguiu mobilização capaz de emperrar a votação do PL até os dias atuais. Desta mobilização surgiu na cidade de São Paulo o I Seminário Internacional: “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”. A segunda edição do evento acabou de acontecer e durante ela foram tiradas várias diretrizes, como por exemplo, criação de fóruns regionais pelo Brasil afora e também pelos países que formam a Comunidade Andina, além da Carta do Mercosul. Este documento foi assinado por  representantes do Forumadd ─ grupo interdisciplinar contra a patologização e medicalização da infância da Argentina e do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade do Brasil. De acordo com o texto da Carta, o movimento tem caráter ético e político e se pauta pelo rigor científico na defesa intransigente da vida.

Pedagogia do Amor & Pedagogia do Esquecimento

Por ser autor de inúmeros livros, entre eles o da Pedagogia do Amor, onde argumenta a importância do afeto no processo ensino-aprendizagem; por ter sido secretário de Educação do Estado de São Paulo, onde o sistema é da escola ciclada e por defender a Educação como principal bandeira de luta, entrei em contato com a assessoria do Deputado para saber da possibilidade dele responder algumas perguntas que me intrigam desde quando comecei a pesquisar sobre esses “transtornos” que causam dificuldades de aprendizagem. A resposta da assessoria veio no dia 10 de outubro dizendo que ele topa dar a entrevista e ainda salientou que tem dedicado atenção especial ao assunto.

Pois bem.......... se tem dedicado atenção especial ao assunto ............. espero que Chalita use dos conhecimentos de sua Pedagogia do Amor e não a troque pela Pedagogia do Esquecimento.

Abaixo, seguem as perguntas encaminhadas à assessoria do Deputado, em 30/08. Vamos ver quando  e como as respostas chegarão.............isso é ... se chegarem..........

1 - Deputado, muitas crianças que não conseguem aprender no mesmo tempo e da mesma forma que as demais estão indo parar em consultórios médicos e sendo diagnosticadas ora com Dislexia ora com TDAH. Em minhas pesquisas sobre o assunto, tenho verificado que o diagnóstico tem sido solicitado via escola quando a criança ainda encontra-se no primeiro ou segundo ano do Ensino Fundamental.   Essa prática  não contradiz os princípios da escola ciclada? Digo isso porque os sinais destes transtornos começam a surgir justamente por causa da escola  porque não conseguem aprender no mesmo ritmo e forma das demais.

2 - De acordo com as pesquisas do neurocientista António Damasceno a aprendizagem ocorre por meio da modulação das emoções. Como a  afetividade está relacionada às emoções e esta variável não entra no processo de diagnóstico destes transtornos, via questionário DSM-IV,o Deputado não acredita que isso possa prejudicar aquelas que tem um jeito diferenciado de aprender e de ser as rotulando como "doentes"?

3 - O  PL 7081/2010 dispõem sobre o diagnóstico e o tratamento do TDAH e da Dislexia na educação básica e visa proporcionar ao educando diagnosticado com estes  transtornos condições diferenciadas de aprendizagem. Contudo é sabido que não existe nenhuma metodologia pedagógica diferenciada de fato. Na prática, existem apenas dicas genéricas, que diga-se de  passagem, devem ser utilizadas com todo mundo, como por exemplo, ter paciência. Levando em conta essa premissa qual a importância desta Lei
no seu entender?

4 -  Há sérias controvérsias na área científica quanto à existência destes transtornos. Apesar de estarem catalogados no CID (Código Internacional de Doenças) a corrente contrária afirma que não há marcadores biológicos que comprovam sua existência (não existe exame físico). Alegam ainda que um dos principais objetivos é a medicalização com o Metilfenidato (Ritalina), que é um remédio da mesma família da cocaína, está listado na Anvisa como entorpecente e suas consequências a longo prazo são ainda um mistério. Gostaria de saber sua opinião a respeito do risco de drogatização causada por causa da escola, afinal, é por causa dela que estas crianças estão indo parar em consultórios médicos, sendo diagnosticadas como portadoras de TDAH ou Dislexia e medicadas.

5 - A corrente que defende a existência destes transtornos alega ser por causa deles que a maioria das dificuldades de aprendizagem acontecem. Qual sua opinião sobre os transtornos de aprendizagem e as dificuldades de aprendizagem?

6 – De acordo com a Deputada Mara Gabrilli, relatora do PL 7081/2010, na Comissão de Educação, o próximo passo será encaminhá-lo à Comissão de Constituição e Justiça. O Deputado faz parte destas Comissões, irá contribuir com alguma sugestão/proposição?

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 Para ler na íntegra a entrevista de Chalita à Agência Câmara, clique aqui.
  
Para acompanhar o projeto de lei de Chalita, clique aqui.

Para conhecer quem é o Deputado Gabriel Chalita, clique aqui.

Para conhecer o Fórum contra a medicalização na escola, clique aqui.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Começa amanhã o II ,Seminário Internacional sobre: “Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e Outros Supostos Transtornos”



O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo junto com outras entidades está promovendo a segunda edição do Seminário Internacional “Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”, que começa nesta sexta (11/11/2011) e termina no dia 14.

Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), irá presidir a mesa de abertura, prevista para começar às 17h. Na ocasião, será lançado a Frente Parlamentar e o Dia Municipal e Estadual de Luta contra a Medicalização da Educação e da Sociedade.

“A criação do Consumidor e a Biomedicalização da Infância”  foi o tema escolhido para ser a conferência de abertura do evento. A palestra será proferida por Celia Iriart, da  University of New México, EUA.

O Seminário também será exibido ao vivo via WEBTV.

Resumo da programação

Sábado:

9h às 10h15:  Conferência sobre:  Medicalização do Comportamento e da Aprendizagem: O obscurantismo reinventado com  Maria Aparecida Affonso Moysés, da  Universidade Estadual de Campinas

10h15 às 12h15:  Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade e Forumadd com a coordenação de Ricardo César Caraffa e participação de:
Beatriz Janin - Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales - Argentina
Carla Biancha Angelucci - Conselho Regional de Psicologia de São Paulo - Brasil
Gisela Untoiglich - Universidad de Buenos Aires - Argentina
Helena Rego Monteiro - Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro - Brasil
Helvio Moisés - Mandato do Vereador Eliseu Gabriel - São Paulo/SP - Brasil
Leon Benasayag - Universidad de Buenos Aires - Argentina
Marilene Proença - Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional - Brasil

14h às 15h15:  Conferência Saúde Pública e Medicalização com o ex-ministro da saúde, José Gomes Temporão e coordenação de  Helena Rego Monteiro

15h15 às 17h15 com Simpósio sobre o Conhecimento na Era dos Transtornos: limites e possibilidades com Inês Barbosa de Oliveira, da  Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Martha Shuare  da  Rússia.  Coordenação de Marilene Proença Rebello de Souza.

18h às 20h Simpósio sobre Medicalização, Marketing e Mídia com os jornalistas Luiz Nassif  e Heloísa Villela;  Silvia Faraone, da  Universidad de Buenos Aires, Argentina e coordenação de  Floreal Marim Botias Júnior.

Domingo

8h às 9h45 Mini-Cursos com direito à certificado.

10h às 12h30:  Simpósio: Cidadania biologizada e judicializada: a produção do sofrimento psíquico  com : Luciana Caliman - Universidade Federal do Espírito Santo – Brasil; Gisela Untoiglich - Universidad de Buenos Aires – Argentina; Giovanna Marafon - Universidade Federal Fluminense – Brasil. Coordenação: João Eduardo Coin de Carvalho.

14h às 15h15:  Conferência:  TDAH, TOD e outros supostos transtornos: Patologias de Mercado  com Leon Benasayag - Universidad de Buenos Aires – Argentina. Coordenação: Mônica Cintrão França Ribeiro.

15h15 às 17h15 Simpósio: Uma nova criança exige uma nova escola  com  Maria Tereza Esteban - Universidade Federal Fluminense – Brasil, Adriana Marcondes Machado - Universidade de São Paulo – Brasil, Lucia Masini - Associação Palavra Criativa – Brasil.
Coordenação: Jason Gomes Rodrigues Santos.

18h às 20h : Simpósio:  Políticas públicas medicalizantes na educação e na saúde com
Emerson Elias Merhy - Universidade Estadual de Campinas – Brasil, Gerson Zanetta de Lima - Universidade Estadual de Londrina - Brasil, Marilene Proença Rebello de Souza- Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional – Brasil. Coordenação: Helvio Nicolau Moisés


Segunda-feira :

8h às 09h45:   Mini-Cursos com direito à certificado.

10h às 12h30:  Simpósio:  A infância capturada pelos transtornos com Beatriz Janin - Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales - Argentina ; Nilda Alves - Universidade Estadual do Rio de Janeiro - Brasil; Rosa Soares Nunes - Universidade do Porto – Portugal.
Coordenação: Cecília Azevedo Lima Collares

14h às 15h15 Conferência: A medicalização de políticas públicas Roberto Leher - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Brasil . Coordenação: Eliseu Gabriel

15h15 às 17h15 Simpósio: Neurologia, linguística e processos de leitura e escrita com Steven Lawrence Strauss - Franklin Square Hospital - EUA , João Wanderley Geraldi - Universidade Estadual de Campinas – Brasil. Coordenação: Claudia Perrota .

17h30 às 19h30 Conferência: Medicalização e Direitos Humanos Marcelo Viñar - Asociación Psicoanalítica del Uruguay – Uruguai. Coordenação: Carla Biancha Angelucci

19h30 às 20h30 Mesa de Encerramento. Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade: ações e encaminhamentos. Coordenação: Helvio Nicolau Moisés.

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Onde será: UNIP – Campus Paraíso - Rua Vergueiro, 1211 - Paraíso - São Paulo/SP –

Como participar: o prazo para as inscrições via internet já acabou, mas é possível  conseguir vaga em algum mini-curso e participar das conferências e fóruns. Basta dirigir-se no local do evento ao setor de credenciamento, que é gratuito.


Quer saber mais sobre o Seminário? Clique aqui


Para assistir ao seminário via internet clique aqui.


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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nobel de Medicina, Eric Kandel, afirma: “Não há marcadores biológicos e faltam provas científicas”



                                                                              Crédito: Wikipédia


O neurocientista  Eric Kandel está chegando ao Brasil para participar do Congresso Brasileiro de Psiquiatria que irá acontecer no Rio de Janeiro. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, em  2 de novembro de 2011, afirmou que a psiquiatria está em crise por falta de provas científicas e criticou o uso indiscriminado de medicamentos para tratamento do déficit de atenção, como o Metilfenidato/Ritalina.  De acordo com ele, como não há os chamados “marcadores biológicos”, não há objetividade no diagnóstico. “A preocupação com a objetividade foi introduzida há uns 20 anos quando houve uma tentativa de validar os critérios do manual para descrever transtornos. Isso foi extremamente importante para que diferentes psiquiatras pudessem dar o mesmo diagnóstico a um mesmo paciente. Mas não houve muitos avanços desde então. Uma das razões para isso é que os psiquiatras não têm os chamados marcadores biológicos à disposição. Se você diagnostica  diabetes ou hipertensão, pode usar medições objetivas, independentes. Não precisa se basear apenas naquilo que o paciente lhe conta.”, afirmou Kandel.

Kandel recebeu em 2000, junto com Paul Greengard e Arvid Carlsson, o prêmio Nobel de medicina pelo estudo da fisiologia do cérebro e como ocorre o armazenamento de memórias em neurônios. Carlsson demonstrou que a Dopamina é um neurotransmissor no cérebro e que a ausência dela causa problemas motores, como os observados na doença de Parkinson. Greengard investigou o que acontece quando a Dopamina se liga aos seus receptores em neurônios pós-sinápticos e revelou a cascata de eventos moleculares disparadas dentro de neurônio pela Dopamina para que um sinal passe através das sinapses. Kandel recebeu o prêmio por descrever os mecanismos moleculares envolvidos na aprendizagem e memória.

Estes estudos mostraram que a atividade bioquímica do cérebro tem estreitas ligações com os processos cognitivos, ou seja, como o cérebro aprende. Descobriram que o transmissor chamado Dopamina desempenha um papel central nos distúrbios cognitivos. Por isso, indivíduos diagnosticados com TDAH são medicados com o Metilfenidato (Ritalina) porque este remédio “controla” a atividade neural, ou seja, inibe a recaptação de dopamina no estriado, sem disparar a liberação deste transmissor no cérebro, resultando numa maior concentração.


Neurociência irá mudar a Educação


Para Eric Kandel a neurociência tem o poder de mudar a educação porque permite um melhor conhecimento dos circuitos neurais para a linguagem oral, visual e motora com o intuito de modelar processos mais eficientes de alfabelização e aprendizagem. Em entrevista à revista Super Interessante, o neurocientista afirmou: “descobrimos que o treinamento espaçado é melhor que o treinamento em massa. Ou seja, se você aprender as coisas em pequenos episódios separados absorve mais do que em uma longa sessão. Portanto, precisamos ter aulas curtas e com intervalos regulares. Acho que as pessoas ainda podem descobrir muito sobre os aspectos temporais dos eventos do aprendizado. Podemos entender melhor que parte do ciclo sono/vigília é ideal para o aprendizado, como aprender a associar as coisas, quais os tipos de dicas que facilitam a memorização de um poema. A neurociência nos ensinará uma variedade de técnicas para otimizar o armazenamento de informações no cérebro”.

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Para ler a entrevista na íntegra publicada pela Folha de São Paulo, clique aqui

Para ler a entrevista publicada pela revista Super Interessante clique aqui

Para saber mais sobre o Nobel recebido por Eric Kandel, clique aqui e entre direto na página da premiação (em inglês)

Para acessar a página de Eric Kandel na University Columbia, onde leciona, clique aqui

Quer saber mais sobre os manuais dos transtornos mentais? Está em andamento estudos para a publicação da V edição, prevista para 2013. Clique aqui e acesse o post a respeito.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

TDAH e Dislexia & Distúrbio do Processamento Auditivo Central


O Processamento Auditivo Central (PAC) compreende um conjunto de habilidades auditivas realizadas pelo sistema nervoso central, necessárias à interpretação das informações que chegam por meio da audição. Pessoas que sofrem do Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) possuem alterações em uma ou mais destas habilidades auditivas de linguagem e aprendizagem. Apresentam também uma audição periférica normal e dificuldade de compreender o que é falado.

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) a razão para se avaliar o processamento auditivo (PA) em disléxicos está baseada na hipótese que um déficit perceptual auditivo pode agravar em muito os problemas de aprendizagem, incluindo problemas específicos de leitura e distúrbios de linguagem. Para avaliar o grau do distúrbio e suas conseqüências são realizados testes por fonoaudiólogos para averiguar  os mecanismos fisiológicos de atenção eletiva para sons não verbais em escuta dicótica, discriminação de sons em seqüência e reconhecimento de padrões temporais.

Estudo

Dez sujeitos disléxicos  diagnosticados pela  equipe de saúde da ABD, cujas faixas etárias variaram entre  12 a 15 anos de idade, sendo nove do sexo masculino e um  do sexo feminino foram avaliados  quanto aos diferentes mecanismos auditivos. Esses indivíduos  possuíam nível de escolaridade de 4ª a 7ª série  do Ensino Fundamental e todos eram destros. Quanto à presença de dificuldades em ouvir, foram registrados 50 % de ocorrências de queixas; quanto à dificuldade de falar, 60% de ocorrências; a desatenção persistiu em 90% de ocorrências e antecedentes de otites na infância, ficou em cerca de 50% de queixas.

Nesse grupo de disléxicos estudados  ficou evidenciada a dificuldade em lidar com sons verbais e não verbais  mostrando que no trabalho de linguagem realizado com esses pacientes devem ser destacadas os  aspectos de   compreensão da fala   trabalhando a análise auditiva dos sons da língua materna, ou seja, os aspectos segmentais da linguagem, a compreensão da linguagem,  bem como trabalhar aqueles  parâmetros que permeiam a mensagem lingüistica propriamente dita que são denominados aspectos suprasegmentais da linguagem. Que são  freqüência, intensidade do som, a tonicidade, o ritmo e a entoação da fala.


TDAH

Na avaliação de Carmelita Rodrigues, psicóloga junguiana,  há uma nova luz no fim do túnel para pessoas  com  sintomas de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).  “Nos últimos quatro anos, especialistas têm trabalhado com uma nova investigação e novo diagnóstico que muda muita coisa nos casos de agitação e falta de concentração:  o DPAC”, afirmou a psicóloga em artigo publicado no site psicopauta. De acordo com ela, o distúrbio causa alterações em uma ou mais das habilidades auditivas que afetam o desenvolvimento da aprendizagem e da linguagem e por conta deste distúrbio, a criança apresenta sintomas e comportamentos semelhantes aos registrados em portadores  do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) o que no entendimento dela, leva ao erro de diagnóstico. “Assim, crianças que hoje estão sendo medicadas com a  Ritalina, por terem sido equivocadamente diagnosticadas como TDAH, precisam de revisão no tratamento urgente porque quando se trata de DPAC, a Ritalina não funciona e nem é necessária”, afirma a psicóloga. Para ela, a terapêutica para os DPACs  são exercícios de reabilitação fonoaudiológicos, realizados por profissionais especializados. O diagnóstico exige um exame audiométrico específico.


Causas do DPAC

As causas do DPAC podem ser as mais variadas possíveis, porém, destacam-se:

-         Otites freqüentes na primeira infância (a privação sensorial provocada por otites de repetição pode causar dificuldade para reconhecer padrões sonoros e na formação dos engramas dos sons da fala);
-         Alterações de ouvido médio e interno;
-         Pouca estimulação auditiva;
-         Disfunções subclínicas das vias auditivas causadas por: hiperbilirrubinemia, anóxia neonatal, sífilis, malformações congênitas, entre outros;
-         Hereditariedade;
-         Síndromes neurológicas; doenças neurológicas e degenerativas, epilepsia, entre outros.


Sinais e Sintomas do DPAC

De acordo com especialistas, pessoas que sofrem do DPAC podem apresentar alguns destes sintomas e não necessariamente todos:

-         Solicitam freqüentemente a repetição da mensagem falada dizendo: hã?, o quê, oi?. São distraídos e desorganizados;
-         Tem comportamento agitado ou quieto demais;
-         Tem dificuldade em seguir direções e instruções orais;
-         Apresentam vocabulário restrito;
-         Tem dificuldade em compreender a mensagem falada em presença de ruído competitivo;
-         Tem dificuldade de memória e, tempo de atenção curto;
-         Tem dificuldade em entender piadas e mensagens de duplo sentido; confundem o que ouvem;
-         Apresentam dificuldades de linguagem, fala, leitura e/ou escrita.


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